Não à violência doméstica

No instigante debate promovido por CLAUDIA, em Recife, especialistas alertaram: a violência está em todas as classes sociais, atinge cada vez mais mulheres jovens e mata mais que o câncer, as guerras e os acidentes de trânsito. E avisaram: homem que bate é criminoso, não deve ser tratado apenas como vítima de uma patologia

Patrícia Negrão

Fórum CLAUDIA Pela Mulher Brasileira, Recife
Marcia Neder, Jacqueline Pitanguy, Maria da Penha e Ana Paula Portella: pelo fim da agressão às mulheres
Enquanto o Brasil assistia, na novela global A FAVORITA, Catarina ser agredida e humilhada pelo marido, na vida real milhares de mulheres eram espancadas na própria casa. A cada 15 segundos uma brasileira, como a personagem da atriz Lília Cabral, sofre com a violência doméstica, de acordo com uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo. A situação é tão grave que, se a cena de Catarina durasse quatro minutos, fora da tela 16 mulheres teriam sido vitimadas. “Ser contra a violência doméstica é nosso trabalho, está na missão de CLAUDIA”, afirmou a diretora de redação, Marcia Neder, mediadora do debate sobre o assunto em Recife, no dia 5 de novembro. “Escolhemos Pernambuco para o 2º Fórum CLAUDIA pela Mulher Brasileira pelo exemplo de coragem e determinação com que o movimento de mulheres e a esfera pública estão enfrentando o problema nesse estado”, explicou. Cerca de 350 pessoas, entre leitoras, representantes de ONGs, autoridades locais e defensoras dos direitos humanos, lotaram o Arcádia de Boa Viagem, na zona sul da capital.
Jornalistas de rádio, TV e mídia impressa também acompanharam o debate e deram ampla cobertura. O evento começou com um comovente depoimento gravado por Lília Cabral. “Falo, sem pudor, das minhas lembranças. Meu pai humilhava minha mãe na frente de toda a família. Por ser uma pessoa frustrada, descontava nela o que não conseguia realizar. A violência verbal pode ser tão dura quanto um tapa”, revelou.
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FÓRUNS CLAUDIA PELA MULHER BRASILEIRA
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