Casamento em troca de cidadania
Contratei um americano sem pagar
"Não é uma decisão fácil. Eu sempre sonhei em casar de verdade. Fiquei balançada, pois sabia que estava fazendo algo errado. Mas não encaro como crime, pois não prejudiquei ninguém, só queria ter uma vida decente. Fiz faculdade de arquitetura no Brasil, mas, como todo ilegal nos Estados Unidos, só conseguia aqueles trabalhos que o americano despreza: fazer faxina, entregar pizza, lavar copo em bar. Andava cansada dessa vida e do desrespeito que o clandestino sofre. Em 2005, comecei a procurar um americano para casar. Estava disposta a pagar 4 mil dólares à vista. Hoje, como o valor mais do que dobrou, as pessoas pagam em parcelas: a primeira após o casamento; a segunda, depois da entrevista na imigração; a última quando sai o green card. Eu perguntava aos amigos se conheciam alguém disposto a fazer o negócio, até que um cara que trabalhava comigo num restaurante se ofereceu. Ele não quis cobrar nada, fez por pura amizade. Casamos e demos entrada nos papéis. Reunimos provas de que a relação era para valer. Abrimos uma conta conjunta no banco e o endereço dele passou a ser o meu, embora nós não morássemos na mesma casa. Também enfrentamos uma entrevista. Eu sabia que os funcionários da imigração eram muito duros. Podem fazer o interrogatório separadamente e perguntar quando foi a última vez que o casal transou. Mas com a gente até que foi leve. No ano que vem, eu já posso dar entrada no pedido de cidadania. Mas não peço o divórcio enquanto não me tornar uma cidadã americana de fato. Hoje vivo feliz com meu namorado brasileiro. Ele também se casou de mentira, com uma americana, para conseguir a regularização. Só não podemos dizer ainda que o sufoco seja coisa do passado.
CARLA, DIRETORA DE RH, COSTA MESA, CALIFÓRNIA
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