Aprenda os códigos da linguagem virtual e entenda melhor seu filho

A geração do Internetês


Os adolescentes empregam rotineiramente as simplificações de sílabas e palavras que tentam se aproximar de situações orais do uso da linguagem. Assim, “você” vira “vc” e “acho” se torna “axo”. Mas essa não é a única novidade do idioma virtual. Além de letras, os jovens se comunicam na rede manipulando sinais, como os parênteses, o hífen e a pontuação, na tentativa de transmitir emoções, já que não podem ver os rostos de seus pares. Uma gargalhada, por exemplo, pode ser representada pelo símbolo : - )))))).
Para o doutor em lingüística e autor do livro Interação na Internet: novas formas de utilizar a linguagem (Editora Lucerna), Júlio Araújo, não se trata de uma língua à parte, mas de uma das muitas variações possíveis dentro do português formal. “Acho exagerado enxergar nessa forma de comunicação uma tentativa de matar o idioma pátrio. Ela apenas faz parte das inevitáveis mudanças pelas quais passam as línguas naturais”, diz o especialista. A grande questão que se coloca aos pais e educadores é justamente restringir o uso dessa forma lingüística aos meios virtuais, onde ela é particularmente eficaz. “Hoje em dia, observamos com preocupação a contaminação da linguagem utilizada na escola pelo texto de internet”, diz a coordenadora pedagógica do colégio Domus Sapientiae, Ana Maria Império.
Para Araújo, a saída é descobrir maneiras de explorar os recursos dessa nova forma de interação, apontando, em sala de aula, as diferenças entre ela e a língua formal e explicando a utilidade de cada uma em momentos específicos da vida do adolescente.

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