Saúde da mulher

Câncer de mama, coração, stress... O 1º Fórum CLAUDIA pela Mulher Brasileira analisa nossa saúde

Sibelle Pedral e Cristina Nabuco

Você sabe qual é a sua pressão arterial? Tem idéia de quantas vezes respira por minuto?  Lembra quando fez sua mamografia mais recente? Os três especialistas convidados a participar do 1º Fórum CLAUDIA pela Mulher Brasileira, em Porto Alegre, em 6 de agosto passado, vivem fazendo perguntas como essas às mulheres que freqüentam seus consultórios. E a resposta que mais escutam é: não, não e não. “A impressão que tenho é que as mulheres gostam do tratamento, e não da prevenção”, constata a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) e autora de vários livros sobre qualidade de vida e stress. “Elas delegam a saúde a um profissional e negligenciam cuidados básicos.” Ana Maria, o cardiologista Ivo Nesralla, presidente do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, e a mastologista Maira Caleffi, presidente do Instituto da Mama de Porto Alegre, reuniram-se no hotel Sheraton, na capital gaúcha, para debater as maiores ameaças à saúde da mulher, num encontro mediado por Marcia Neder, diretora de redação de CLAUDIA. No evento, que contou com cerca de 400 pessoas, os três fizeram revelações inquietantes sobre descuidos que cometemos em relação à nossa saúde e ensinaram o valor de pequenas atitudes para prevenir grandes males.

Nas últimas décadas, o papel da mulher na sociedade passou por uma revolução que mudou o perfil das famílias brasileiras e teve impacto profundo na saúde feminina. A entrada no mercado de trabalho derrubou a taxa de fecundidade, que hoje é de 1,8 filho por mulher (no Rio Grande do Sul, é mais baixa ainda do que a média nacional: 1,6). Os filhos passaram a vir mais tarde para se acomodarem às necessidades de carreiras bem-sucedidas: um estudo publicado pelo IBGE em 2005 revelou um aumento de 30% no número de mulheres que tiveram o primeiro bebê entre 40 e 44 anos. Trabalhar fora também nos expôs a hábitos perigosos, como alimentação desequilibrada e sedentarismo. Junte-se a isso o stress decorrente da falta de tempo e do acúmulo de tarefas e está pronto o caldo: giramos vários pratinhos no ar ao mesmo tempo, muitas vezes com competência, mas pagando um preço altíssimo. Precisamos nos reinventar”, alerta Maira Caleffi. Cuidamos de tudo e de todos e ainda trabalhamos muito, o que não é mais chique, é necessário. Estamos desobedecendo aos limites da condição humana.”

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FÓRUNS CLAUDIA PELA MULHER BRASILEIRA
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