Ingrid Betancourt e Juan Carlos Lecompte: amor interrompido pelo terrorismo

Movido a esperança, o marido da refém Ingrid Betancourt dedica sua vida à libertação e à possibilidade de reencontro com sua amada

Lúcia Barros e Isis Almeida | Foto, Reuters

23 de fevereiro de 2002

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia seqüestram a jornalista e senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt, 40 anos na época, candidata à presidência do país.

 

Abril de 2008

O publicitário Juan Carlos Lecompte, 49 anos, está em sua casa em Bogotá aguardando notícias da missão francesa que entrou na selva para contatar a refém. Em sua porta, mais de 50 jornalistas acompanham o drama. Por telefone, ele fala a CLAUDIA.


Ingrid Betancourt"Desde que Ingrid foi seqüestrada, vivo para lutar por sua libertação. Eu, que antes trabalhava como publicitário e não me interessava por política, hoje sou membro do partido Oxígeno Verde, fundado por ela em 1998. Cheguei até a concorrer a deputado em 2006 na esperança de ajudá-la, mas percebi que foi um erro, não sou bom político.

A política sempre foi a paixão de Ingrid. Quando nos conhecemos, durante um passeio a cavalo na fazenda de um amigo, em 1994, ela acabara de ser eleita deputada. Ao vê-la pela primeira vez, me impressionou sua beleza. Perguntei a meu amigo quem era ela. Descobrir seu status político me desanimou. Afinal, o que iria fazer com uma namorada deputada? Mesmo assim, resolvi investir e pedi a meu amigo que me convidasse para as cavalgadas sempre que ela fosse. 

Além de linda, Ingrid me chamou a atenção pela forma como tratava as pessoas. Quando fazíamos paradas durante os passeios, ela conversava com o povo local, diferentemente da maioria do grupo. Isso me impressionou. Ela era a mesma, não importava com quem lidasse.

Nosso primeiro contato se deu lá pela quinta ou sexta vez em que cavalgávamos. Ao final do dia, ofereci carona a Ingrid e convidei-a para tomar um café. Fomos para o café Ona e ali, naquele momento, nossa relação começou.

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