A saúde do seu capital
Com a nossa bula, vai sobrar dinheiro na sua conta corrente
Cindy Correa
Para a financista Eliana Bussinger, há um mundo de similaridades entre a saúde do corpo e a saúde das nossas contas. Um bom exemplo: tanto a obesidade quanto o endividamento começam com um desequilíbrio. "Se você come mais do que precisa, engorda. Se gasta mais do que ganha, está se endividando", escreve ela em seu livro mais recente, A DIETA DO BOLSO (CAMPUS). A verdade é que, assim como sabemos pelo menos o básico do que é preciso para emagrecer, não ignoramos como resolver o problema das finanças em perigo: ter uma poupança para emergências, cortar gastos... Difícil é montar um programa que combine com a nossa dieta financeira. Para ajudar nessa tarefa, levantamos questões torturantes e buscamos a orientação de craques.
"Devo ter uma poupança para viver por quanto tempo sem emprego?"
A recomendação dos economistas é ter um pé-de-meia com o suficiente para cobrir suas despesas por um período de 12 meses a dois anos. O cálculo é simples: se você gasta 5 mil reais por mês, uma poupança de 60 mil garante paz para encarar um período de desemprego. Se puder contar com a ajuda de familiares, é possível baixar esse montante, dependendo apenas do nível a que o necessitado pretenda se submeter com o ágio cobrado pela Financeira Mamãe e Papai Associados.
Como esse dinheiro pode vir a ser usado a qualquer momento, mantenha-o numa aplicação que permita saques sem punir o investidor. O ideal são os investimentos classificados como tradicionais, com a poupança, os fundos DI e os CDBs. “Até 30 mil reais, a poupança ainda é o melhor negócio”, avaliza Eduardo Jurcevic, superintendente de investimento do Banco Real. “Não há incidência de imposto de renda, enquanto outras aplicações de renda fixa, além do imposto, cobram do investidor taxas de administração.” Além disso, têm garantia para valores até 60 mil reais caso a instituição bancária quebre (o CDB também, mas paga imposto). Já para valores maiores, o professor de finanças da USP Rafael Paschoarelli recomenda comprar títulos do tesouro direto, que são prefixados ou indexados às taxas de juros definidas pelo governo ou à inflação. Criados há cinco anos, esses títulos podem ser comprados no site www.tesouro.fazenda.gov.br ou com a intermediação de bancos e corretoras. A rentabilidade acompanha a taxa Selic (em abril, ficou em 0,9%, um pouco acima da maioria das aplicações tradicionais); o investidor também ganha porque as taxas de administração são menores. Se está confiante na sua estabilidade e dispõe de mais tempo para deixar o dinheiro investido, pode estudar aplicações mais arrojadas, que em geral dão melhor retorno. “Mas avalie a sua tolerância ao risco”, lembra o administrador de investimentos Fábio Colombo, de São Paulo.




