Quem manda na internet são as meninas

Autodidatas, empreendedoras e supercriativas, as adolescentes desvendam os mecanismos da tecnologia virtual e prometem transformar o mundo

Gisela Blanco

No YouTube: Eloá Leitão gravou 50 vídeos
mostrando seu quarto ou tocando violão
e já foi vista no mundo inteiro
Eloá Soares Leitão acaba de completar 16 anos, mora com os pais em Cordeirópolis, no interior de São Paulo, e sonha em mudar-se para a capital. Além de adorar ler, escrever e tocar violão, diariamente ela passa horas na internet, tem mais de 500 contatos em sua lista do Messenger (MSN, programa de conversa em tempo real), publica textos, poesias e fotos em seu blog pelo menos quatro vezes por dia, freqüenta os sites de relacionamentos Orkut,

MySpace e Fotolog e tem cerca de  50 vídeos que ela mesma produziu e colocou no YouTube, o maior site de vídeos. Sua gravação mais popular ? ela com o violão tocando a música LINGER, da banda irlandesa The Cranberries, em frente ao armário de seu quarto - já foi vista por milhares de pessoas do mundo inteiro. Um prodígio? Não, o retrato de uma geração inteira de meninas que está crescendo conectada ao mundo virtual.

As meninas brasileiras foram para a internet para se comunicar - e acabaram tomando a dianteira na utilização das mais variadas ferramentas disponíveis. Uma pesquisa realizada pelo Ibope/NetRatings com jovens entre 12 e 17 anos revelou uma tendência de crescimento no uso da internet entre elas, que é oposta ao que acontece no universo masculino. Em janeiro deste ano, as adolescentes ficaram aproximadamente 43 horas em frente ao computador e abriram em média 3,5 mil páginas de internet. No mesmo mês de 2007, elas dedicaram 34 horas e oito minutos à navegação - um crescimento de 27%. No mesmo período, o uso dos meninos diminuiu: se no ano passado eles ficavam plugados por 46 horas e 44 minutos, este ano a média foi de 45 horas para navegar por 2,2 mil páginas.

O grande número de visitas mostra uma maneira diferente de navegação. As jovens pulam de um site para outro sem gastar muito tempo com conteúdos específicos - diferentemente do que faria um adulto dedicando alguns minutos para ler um site de notícias, por exemplo. É fácil imaginar a cena: uma mocinha conversa com amigos em um programa de bate-papo e também ouve música, escreve um post para seu blog, faz download de um filme, acessa várias páginas por minuto em um site de relacionamentos. Tudo ao mesmo tempo e sem fazer esforço. Resultado: se as jovens representam apenas 9,3% dos brasileiros na rede, já são responsáveis por 16% do total de páginas vistas da internet no Brasil. Só para comparar com outros países: entre os britânicos, elas representam 3,6% e passam em média 17 horas e 48 minutos co nectadas em 17 visitas por mês. Nos Estados Unidos, são 6% do total de usuários e gastam 29 horas em 25 visitas por mês.

Outro levantamento, feito pela MTV, Nickelodeon e Microsoft, mostra que no Orkut - um dos sites de relacionamentos mais procurados por elas - as adolescentes respondem por 25% do total de páginas vistas por brasileiros.

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