Como construir o estudante do século 21

Conviver é preciso e faz bem

Para o filósofo e educador Alípio Casali, a geração que se prepara para o século 21 enfrenta uma grave crise de socialização. Famílias dispersas, pais ausentes e o distanciamento de instituições tradicionais, como a Igreja, deixam as crianças meio perdidas, sem referências. Os vínculos vêm enfraquecendo aceleradamente, o que está produzindo indivíduos com dificuldades para os relacionamentos sociais”, alerta. A escola do futuro não pode deixar de lado seu papel de socializar adequadamente, ensinando a cada criança o jogo tenso entre ordem e liberdade. “Nos anos 80, o fortalecimento do construtivismo fez com que os alunos buscassem o conhecimento individualmente, formulando hipóteses e buscando respostas. Mas o convívio é uma experiência estruturante. O conhecimento também se dá por transmissão.”

Preocupadas com esse esgarçamento de vínculos, muitas escolas incentivam o trabalho em grupo. “A criança é obrigada a trabalhar mesmo com quem não tem afinidades dentro das regras da boa convivência. Assim, aprende como o outro pensa”, afirma Maria José Godoy Pereira, coordenadora de informática do ensino fundamental da Escola Vera Cruz. Na Amorim Lima, paredes foram derrubadas para criar um salão” de aula onde as crianças trabalham em grupos sob a supervisão de até quatro professores de uma só vez. “Todos se responsabilizam por todos, o que estimula o respeito e permite fazer mais amigos”, afirma a diretora, Ana Elisa Siqueira.

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