Como construir o estudante do século 21
A revolução da informática
Um novo mundo de conhecimentos se abre quando a informática é colocada a serviço da educação. Muitas escolas têm laboratórios com computadores dotados de filtros, programas que impedem o acesso a alguns endereços eletrônicos.
“As novas mídias encurtam o tempo de aprendizado”, acredita Moises Zylbersztajn, coordenador de informática do Colégio Santa Cruz. Ali, alunos do ensino médio aprendem a montar um site com todos os recursos disponíveis. Por meio do site da escola, os professo respodem fazer atendimentos virtuais para tirar dúvidas dos alunos. “Oferecemos essa possibilidade e os alunos reagiram bem”, conta Moises. No ensino fundamental do Miguel de Cervantes, o tradicional quadro-negro cedeu lugar às lousas digitais, nas quais o professor projeta a tela do computador que usa na sala de aula. A criança que faltou à aula pode acessar todo o conteúdo perdido no site do colégio.
Tudo muito estimulante, mas a grande questão é como fazer o melhor uso possível das possibilidades que a informática oferece. “Os alunos lidam facilmente com as novas tecnologias, mas de maneira superficial. Usam bem o que lhes interessa, como o MSN”, observa Antonio Rovai, do Colégio Miguel de Cervantes. “Cabe à escola prepará-los para que esse contato seja rico para eles. Informação demais pode se transformar em ruído.”
No final dos anos 80, surgiu na Universidade de São Paulo o Laboratório do Futuro, com o objetivo de estudar como as novas tecnologias podem melhorar o aprendizado. “O Google é uma ferramenta fantástica, mas é preciso ter um pé atrás. Os sites que aparecem nem sempre são os mais indicados, e sim os mais acessados”, alerta Fredric Litto, fundador do laboratório e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP. Como se ensina a separar o joio do trigo? “Trabalhando o senso crítico da criança e ensinando onde pode averiguar se o que leu na Internet é verdadeiro ou não”, ensina Litto. “Assim não se fica soterrado sob uma avalanche de informação. Quem não souber selecionar corre o risco de ficar inoperante.”
Educação para a sustentabilidade
Despertar na criança a noção de que o planeta está em perigo e prepará-la para defender a Terra é missão da escola no século 21. Faria muita diferença se 1,2 bilhão de crianças que estão nos bancos escolares hoje, no mundo inteiro, vivessem de forma sustentável. Mudaria a história da humanidade”, afirma o educador Moacir Gadotti, do Instituto Paulo Freire. Para isso, não basta plantar árvores: é preciso uma espécie de “fuga do modelo consumista do nosso tempo”, explica. Em todo o mundo, pipocam exemplos de escolas que trabalham com a ecopedagogia, a pedagogia centrada na idéia de sustentabilidade. “Estive numa escola na Escócia em que as crianças realizavam uma ecoauditoria no ambiente escolar e identificavam tudo o que não era sustentável: os alimentos da cantina têm gordura trans? O pátio não tem plantas? Era uma atividade escolar delas.”
O segredo para criar cidadãos conscientes é fazer com que essa preocupação não fique apenas na teoria e ocupe espaço na vida escolar das crianças. Foi o que ocorreu na Escola Isaac Schraiber com a defesa do córrego poluído na região. A luta mobilizou crianças e adultos do bairro e despertou uma verdadeira consciência ecológica.
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