Como construir o estudante do século 21

Viva a comunidade!

A escola do século 21 expande seus horizontes para além dos muros. Colégios como o Santa Cruz implantaram um curso supletivo gratuito para adultos no período noturno. Os alunos é que ensinam a esse público especial como se usa o computador, a internet, o PowerPoint. No Colégio Miguel de Cervantes, escola bilíngüe (português-espanhol) na zona sul de São Paulo, os alunos se uniram a uma ONG, o Barracão dos Sonhos, num mutirão para a construção da sede da ONG em Paraisópolis, favela perto da escola. “Eles carregaram pedra. O conhecimento que se adquire com a prática é mais significativo”, observa Antonio Abello Rovai, diretor adjunto para assuntos extracurriculares do colégio.

A aproximação com os moradores do bairro – e os benefícios que nascem dessa parceria – pode significar a diferença entre a vitalidade e a morte de uma escola. Quando a diretora Teresa Cintra e sua vice, Edilamar Caoneto Zago, chegaram à Escola Estadual Professor Isaac Schraiber, no Parque São Rafael, zona leste de São Paulo, em 2002, encontraram um quadro desolador: quatro anos antes, o caseiro fora assassinado numa pendenga envolvendo drogas, e a escola era malvista pelos moradores da região. Ao mesmo tempo, o prédio pichado e tristonho era a única opção de lazer de um bairro de classe média baixa, sem cinemas ou shoppings. Comecei a andar de ônibus e a ouvir o que se falava da escola”, lembra Teresa. “

Então, abri espaço para que os moradores viessem discutir as questões deles.” Uma das primeiras demandas foi a recuperação do poluído córrego Cipoaba, que passa atrás do prédio. “Cheguei a ver peixinhos lá quando era menina”, conta Edilamar. Os alunos se juntaram à comunidade num movimento para recuperar o riacho. Rei vindicaram um tronco coletor de esgoto à Sabesp, conseguiram apoio da subprefeitura e, capitaneados por Edilamar, fizeram um vídeo para internet contando a própria história de cidadania. O trabalho foi inscrito num concurso promovido pela Microsoft em 2006 e levou o prêmio Gestão Escolar e Tecnologia. A recompensa deu visibilidade à escola e rendeu outras parcerias – a mais recente com o Instituto Criar, ONG concebida pelo apresentador Luciano Huck que forma técnicos em áudio, cinema, TV e novas mídias. Antes, as crianças tinham vergonha de dizer que estudavam aqui”, conta Teresa. “Hoje, não temos vagas para todos que nos procuram.”

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