Como construir o estudante do século 21
Aprender com alegria
Há alguns anos, alunos do ensino fundamental da Escola Vera Cruz, em São Paulo, estudaram o ciclo de vida das borboletas de uma forma diferente: trouxeram lagartas para a sala de aula, observaram a confecção do casulo e esperaram. A cada dia, tomavam notas, trocavam impressões com os colegas, interrogavam os professores. Quando os casulos se romperam, houve festa e as borboletas foram soltas numa praça nas redondezas. Ocorre que a história toda levou cerca de dois meses – e um pai de aluno foi à escola tomar satisfações. “Ele não entendia por que precisávamos de dois meses para ensinar o que podia ser explicado em 15 minutos”, lembra Nádia Chaguri Dimitrov, assistente de direção pedagógica. Dissemos a ele que o filho não tinha apenas aprendido sobre borboletas e lagartas: tinha aprendido a fazer pesquisa, observando, escrevendo, buscando e partilhando o conhecimento.” Experiências assim ensinam a gostar de aprender – um prazer essencial quando se fala em educação para a vida inteira.
Para Ana Elisa Siqueira, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, na zona oeste de São Paulo, “aprender não é uma coisa arrumadinha”, e sim um processo pessoal complexo que nem sempre se adapta à estrutura tradicional da escola. Para contemplar a forma de aprender de cada um, Ana fez uma revolução na Amorim Lima: estimulada pelos pais dos alunos – uma comunidade heterogênea, formada sobretudo por filhos de funcionários e de alunos da Universidade de São Paulo –, montou uma grade curricular com roteiros de pesquisa. Cada aluno decide o que quer estudar e organiza seu tempo sob a supervisão de um tutor, num modelo inspirado na Escola da Ponte – escola pública portuguesa em Vila das Aves, onde as crianças não são agrupadas por idade, e sim por interesses. “É um exercício de lidar com o tempo e com a responsabilidade”, explica Ana. O modelo da Amorim Lima, implantado em 2004, obteve autorização da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e segue firme como um novo projeto de escola.
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