Como construir o estudante do século 21

As lições do melhor ensino do mundo

Chama-se Pisa o mais respeitado e abrangente sistema de avaliação da educação, criado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Realizado pela última vez em 2006, esse teste deu à Finlândia o título de melhor ensino do mundo, enquanto o Brasil se debate nas últimas posições. Dois pilares sólidos garantiram o bom resultado finlandês: o currículo amplo, de dar inveja, que inclui aulas de arte, música e no mínimo duas línguas estrangeiras, e o investimento na capacitação de professores, de quem se exige no mínimo o mestrado.
Valorizada socialmente, a profissão é a carreira mais desejada pelos estudantes do ensino médio, segundo reportagem publicada na revista Veja (20/fevereiro/2008). Na Finlândia, o currículo é decidido em conjunto por professores, pais, administradores e representantes dos alunos, seguindo coordenadas gerais negociadas com o Ministério da Educação. Matemática, por exemplo, é vivenciada quase sempre em laboratórios, conectando conhecimentos a situações práticas do dia-a-dia. Os alunos também passam mais tempo na escola – 995 horas por ano contra 800 no Brasil. Levam para casa muito dever de casa e são cobrados. Exige-se disciplina – conversar durante a aula não é tolerado. As salas de aula são básicas, com quadro negro e, quando muito, dois computadores. Há pouco mais de 30 anos, a Finlândia tinha dificuldades educacionais parecidas com as brasileiras. Em três décadas, protagonizou uma revolução. O que prova que melhorar o ensino é desafiador – mas não impossível.
Produção Sylvia Radovan/Realização Noris Martinelli

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