Mangás
Os quadrinhos do Sol Nascente

Os temas são os mais diversos. Histórias de amor, de terror, de brigas de gangue, de ficção científica podem ser contadas em tiras de mangá, o estilo de história em quadrinhos criado pelos japoneses, durante segunda-guerra mundial

Liliane Oraggio

No mangá, o corpo dos personagens é oriental, mas os olhos não são puxados: “Os olhos grandes transmitem melhor as emoções de raiva, tristeza, amor, alegria”, esclarece Fábio Shin, dono da escola de Mangá Japan Sunset, em São Paulo. Aos 5 anos, ele começou a desenhar e aos 16 descobriu o traço do mangá, jogando vídeo game. Não demorou a encontrar os gibis impressos que puseram mais lenha na fogueira de ser artista e viver disso. “Tenho sangue português, francês e espanhol. Minha família não entendia muito essa ligação forte com esse país estranho e achava que ser desenhista não era profissão. Aos 16 anos, fugi de casa, para provar que eu podia viver da minha paixão, o mangá. Fui morar com um amigo e comecei a oferecer meus trabalhos nos eventos da colônia japonesa”, conta Fábio. Hoje, 11 anos depois, ele é totalmente independente. Tem seu próprio estúdio, onde dá aulas de mangá e animê (o desenho animado japonês) faz convites para festas e produz eventos. Além disso, faz também os Nikayou Manga, uma derivação os quadrinhos: o cliente manda uma foto e os artistas fazem uma caricatura com os traços do mangá tradicional.

No Japão, os mangás são impressos em papel fininho, costumam ter mais de 500 páginas e custam menos do que uma passagem de metrô. Basicamente, eles dividem a produção de quadrinhos em dois estilos Shone Manga, histórias com temas masculinos, como brigas de gangue, aventura, ficção científica. Dragon Ball Z, Yu Yu Hakusho, Neon Genesis Evangelion, são alguns dos personagens famosos. Os mangás femininos são os Shojo Manga, com enredos românticos e dramáticos, os mais conhecidos são Sailor Moon e Guerreiras Mágicas de Rayearth. Em comum todos esses personagens são heróis com sentimentos, dúvidas, valores em conflito e, como qualquer ser humano, sentem frio e fome: “Talvez seja por isso que as pessoas se identifiquem tanto com as histórias”, pensa Fábio Shin. Seus desenhos já viraram até material didático, fazem parte das apostilas de Educação Física, Matemática, Física, Inglês Português, do cursinho Anglo de São Paulo. O estilo tem atraído também os ocidentais para os cursos de Língua Japonesa, só para ter o gostinho de ler as histórias na língua original.

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