O que os pais dizem sem perceber o dano que causam
Eu fiquei doente
Este depoimento, de uma jornalista que prefere se manter no anonimato, mostra até que ponto a ironia e a insensibilidade familiares podem detonar a auto-estima de uma garota
Quando eu tinha 12 anos, meu pai, já separado da minha mãe, começou a namorar uma modelo de 17 anos, magrinha e bonita. Ele elogiava a amada o tempo inteiro. Eu também queria receber elogios, mas ele só falava nela. Passei a achar que só gente assim, enxuta, podia ter qualidades. Para piorar, sempre que ele viajava, trazia de presente roupas de números bem maiores que o meu. Eu ficava péssima. De tanto ouvi-lo falar, me convenci de que estava mesmo gorda, um monstro. Resolvi regime, um atrás do outro. Mas não conseguia perder peso e acabava comendo mais. Aos engordei 12 quilos. Minha mãe passou a me chamar de batatinha. Fiquei ainda mais. Tentava emagrecer, fazia jejum. Comecei a provocar o vômito. Com 16 anos, tomava laxante inibidores de apetite. Um ano depois, pesava apenas 45 quilos. Bem mais tarde, procurei tratamento, e hoje, aos 24 anos, a bulimia está controlada. Mas não digo que estou curada.




