Paz em vez do stress: a decisão é sua


O casamento foi inventado para consolidar alianças, garantir o direito de herança, proteger as mulheres. A escolha dos parceiros cabia aos pais ou a alguma autoridade reconhecida pelas famílias. Logo o pessoal se deu conta de que o vínculo permanente de um casal, com moradia conjunta e fixa, era um nicho adequado para a criação dos filhotes - e este passou a ser o escopo secundário do casamento. Só muito mais tarde entrou em cena o ideal romântico que associou o casamento à idéia de um vínculo amoroso duradouro, cujo objetivo era tornar os parceiros felizes. Com essa nova concepção, a escolha passou a ser feita pelos parceiros - e sobre eles recai a responsabilidade por escolhas malfeitas. A felicidade conjugal e a harmonia da família tornaram-se atestados de que o parceiro foi bem escolhido e de que o casal é suficientemente sábio e amadurecido para conservar o vínculo. Surge daí uma fonte de stress: marido e mulher procuram demonstrar ao mundo o sucesso da relação por meio de provas materiais e simbólicas, como a casa bonita e sempre em ordem, os filhos bem-vestidos e com boas notas. Esse território já pertencia à mulher quando éramos vestais em tempo integral e cuidávamos para manter o calor do fogo e dos afetos na família - e até hoje continuamos a nos responsabilizar por ele, a despeito de conquistas mais amplas.

Eu vivia perigosamente

"Sempre trabalhei muito, 12 horas por dia, em média. Me especializei em indostria de cosméticos e passei por grandes empresas, mantendo um ritmo acelerado e sob grande stress. Há pouco mais de um ano, porém, resolvi rever meus valores. Houve um gatilho: minha mãe e minha sogra adoeceram gravemente e eu, além de todas as tarefas profissionais, assumi os cuidados com minhas "duas mães". Foi um tempo difícil. Mergulhei em mim mesma para perguntar o que eu tinha feito da vida até então. Percebi que o stress é implacável: estava muito cansada, o emprego ocupava tempo demais e me afastava das pessoas queridas. Precisava reavaliar as prioridades. Logo tomei algumas decisões. Embora não estivesse doente, passei a cuidar mais da saode. Resgatei a esteira que estava encostada na garagem, comecei a comer melhor e descobri até um suplemento alimentar que fez com que me sentisse mais disposta. Pedi demissão e procurei um trabalho pelo qual eu fosse mais apaixonada. Hoje cumpro cerca de oito horas diárias e, apesar de ter atividades extras, como convenções e palestras, me sinto mais feliz. Estava vivendo perigosamente, mas agora encontrei a minha essência."
Adna Fischmann, 44 anos, diretora de marketing

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