Vida de mãe (de verdade)

Elas são porta-vozes de todas as mulheres que buscam maneiras para unir maternidade e modernidade, o que rendeu um blog, dois livros e inspirou um programa de TV.

Sibelle Pedral em 19.11.2007
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(Foto: Márcio Rodrigues)

As publicitárias mineiras Laura Guimarães, 37 (à esquerda na foto), e Juliana Sampaio, 36 anos, conheceram-se na faculdade, reencontraram-se anos depois trabalhando na mesma agência, mas só descobriram que eram almas gêmeas quando se tornaram mães. Mais do que isso: motherns, trocadilho em inglês que junta as palavras mother (mãe) e modern (moderna). As motherns, explicam as duas, são mulheres que escolheram a maternidade, vibram com a experiência, inventaram uma fórmula para acabar com a culpa e ainda se divertem muito na vida, sem esquecer preocupações sociais e ecológicas.Em 2002, resolveram partilhar essa filosofia num blog que virou notícia (http://www.mothern.blogspot.com/) e já rendeu dois livros, MOTHERN, MANUAL DA MÃE MODERNA e o recém-lançado AS 500 MELHORES COISAS DE SER MÃE (ambos ED. MATRIX). No ano passado, o canal pago GNT exibiu uma série inspirada no diário virtual - e o sucesso foi tal que a segunda temporada tem estréia prevista para o dia 26 de maio."Quando começamos a escrever, queríamos falar de nós e do desconforto que sentíamos com as representações tradicionais de mãe - como a heroína pronta para o sacrifício pela família", conta Laura, mãe de Nina, 11, e Gabriela, 8, e casada com o professor de cinema Leonardo Vidigal, 40, que ficou em casa cuidando das crianças enquanto as motherns concediam a seguinte entrevista num barzinho em Belo Horizonte, onde vivem. A filhinha de Juliana, Alice, 7 anos, também ficou em casa com o pai, o professor de aikidô Edival Vitral, 43 - outro fathern.

CLAUDIA - Qual é a diferença entre uma mothern e uma mãe tradicional?

JULIANA - As motherns são mulheres que se tornaram protagonistas de sua história. Quisemos ser mães, assumimos essa escolha e por isso nos sentimos tão responsáveis e tranqüilas nesse papel. Não sou a heroína cuja única vontade é que a família esteja bem. Na prática, fazemos parte de uma geração que já tinha várias idéias e preocupações e que, a certa altura, começou a ter filhos. São preocupações com questões de gênero, questões feministas - essa palavra parece desgastada, mas é uma ingratidão -, ecológicas, com o consumismo exacerbado. As motherns estão antenadas com o seu tempo, não querem repetir os erros do passado, e sim construir uma nova forma de fazer as coisas. Não recebem passivamente o que a sociedade entrega.

LAURA - No fundo, ser mothern é respeitar o nosso direito de ser pessoa, apesar de todas as nossas atribuições e de tudo o que escolhemos fazer. Parece que a grande maravilha do mundo foi a mulher ganhar o mercado de trabalho. Quando não estamos entretidas com nossas 1001 utilidades domésticas, vejam que sensacional, podemos trabalhar! Diversão, cerveja com amigos, acesso à cultura - isso é visto como tempo roubado do filho. São idéias muito enraizadas que a gente combate. Até o discurso da conciliação dos papéis é perverso, porque pressupõe que tudo é tarefa da mulher e alimenta a culpa feminina. É uma camisa-de-força. Por que a mulher tem que ser ótima sempre? Homem não tem que conciliar nada.

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