Foto: Daryan Dornelles
)Numa tarde de terça-feira, Humberto Martins estava sentado na sala de seu apartamento com vista para o mar, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O ar era de compenetração. Ajoelhada diante dele, uma mulher, com a cabeça baixa, acariciava o rosto do ator, impávido. Humberto não dava um sorriso. Pelo contrário, mirava o horizonte de forma dura, como se submetido a terrível privação. De repente, ele virou para o lado, livrando-se das mãos femininas que aparecem na foto desta reportagem. “Desculpe. Eu segurei quanto pude, mas não consegui controlar”, disse ele. Por causa do cheiro do creme para cutículas – e porque estava resfriado –, o ator deu um espirro daqueles.
Humberto Martins tem gripes eventuais, e, de forma geral, sua saúde está ótima. Aos 51 anos, ainda encontra energia para surfar três vezes por semana e jogar golfe, mesmo em ritmo intenso de gravações, como o atual. Agora, ele dá vida ao personagem Nacib, o marido traído de Gabriela, personagem-título da novela da TV Globo que vai ao ar às 23 horas, o mesmo horário de O Astro, aquela produção cujas imagens de sexo deram o que falar em todo o país – cenas protagonizadas, a propósito, também por Humberto Martins. Na companhia da linda atriz Guilhermina Guinle, ele estrelou algumas das tomadas mais quentes da televisão dos últimos tempos. Não que se sentisse à vontade com isso. Mas são os ossos do ofício. “Cena de sexo é constrangedora, entendeu? É algo muito íntimo. Você fica nu com uma pessoa que não é sua parceira. E, gente, eu sou um ser humano”, queixa-se. “Numa gravação de raiva ou choro, você se concentra e sente aquilo com integridade. Já a cena de sexo os atores devem fazer mais desconcentrados. Têm que interpretar e sentir o contrário”, afirma. A despeito da sugestão, Humberto garante que nunca ficou numa situação, por assim dizer, delicada durante a gravação. E, se aconteceu de dar um beijo no pescoço da moça e deixá-la arrepiada, atribuiu o fato à entrega dramática da colega. “Usa-se isso para o trabalho. Mas é toque, é vida, é ser humano.”
Com os lábios grossos, a pele bronzeada, as sobrancelhas espessas e um vozeirão de dublador de galã de filmes românticos, Humberto Martins sempre fez o tipo “matador”. Houve uma época em que, de tanto aparecer sem camisa nas novelas, era motivo de alguma chacota da imprensa especializada em televisão, muito embora as mulheres gostassem bastante de ver seu abdome definido. Em Uga Uga (2000), novela das 7 de autoria de Carlos Lombardi, Humberto sempre surgia nas telas praticamente como veio ao mundo. “Eu ficava quase nu o tempo inteiro, só com aquele barbantinho malcheiroso. Era de couro, uma coisa horrorosa, tinha nojo”, lembra, aos risos. “E isso de ficar sem camisa era piração do Lombardi. Tinha um propósito comercial, porque era o auge da malhação nas academias. Como antes de ir para a Globo eu trabalhava na indústria, entendi que não podia criar problemas. Empresa é tudo igual, só muda o produto”, afirma.
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