"Será que meu filho é gay?"

Ele tem 7 anos, não gosta

Flávia Pinho em 19.11.2007
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Embora o homossexualismo faça parte da história da humanidade, a rejeição persiste, porque o preconceito também tem raízes profundas. Então, quando surge a dúvida, é compreensível que haja certo "mal-estar". Que mãe não se preocuparia ao imaginar que o filho pode ser discriminado por contrariar o modelo social vigente? Ela bem sabe que o diferente está sujeito a sofrimentos. Por essa razão, a sociedade tenta enquadrar meninos e meninas, desde pequenos, no padrão de comportamento estabelecido para a identidade heterossexual. Os pais esperam que os garotos sejam viris e se interessem por assuntos ditos de homem, assim como as garotas devem ser dóceis e se dedicar a atividades delicadas. 

Não podemos, no entanto, esquecer que os papéis sexuais são moldados pela cultura e mudam ao longo do tempo. Mais importante ainda é perceber que as crianças expressam raiva, curiosidade, seus medos, afetos e desejos por meio da fantasia e da imitação. As que têm irmãos do sexo oposto podem querer usar suas roupas, copiar modos de agir ou falar desde cedo - afinal, a curiosidade sexual se manifesta já a partir dos 2 anos, idade em que as crianças olham os genitais dos coleguinhas para "comparar" e percebem que há os iguais e os diferentes. Há ainda as que repetem comportamentos que assistem na televisão, seja como treino de papéis, seja por brincadeira, seja por mera vontade de experimentar sensações corporais. Por tudo isso, um menino que aparentemente se interessa por assuntos de meninas ou que apresenta trejeitos efeminados tem grande possibilidade de ser avaliado somente sob o aspecto sociocultural - e receber um rótulo precocemente. É cedo, de fato, e até imprudente, dizer que ele terá orientação homossexual. 

O processo de formação da identidade sexual é longo. Começa entre os 3 e 6 anos e se consolida, para a maioria, durante a adolescência. Nem a medicina nem a psicologia, porém, chegaram a uma conclusão sobre as causas da homossexualidade. As hipóteses dividem-se entre fatores biológicos, psicológicos e sociais ou entre uma combinação deles. O importante é garantir a seu filho uma socialização adequada, cuidando para que ele possa transitar bem entre meninos e meninas e para que não se sinta incomodado no grupo do mesmo gênero. Da mesma forma, procure não fazer cobranças e comparações e não permita que outras pessoas debochem dele. Agora, se perceber que seu filho está sofrendo, tem vergonha de si e não compreende exatamente o que acontece com ele, talvez seja o caso de recorrer à ajuda de um terapeuta.    Ana Cristina Canosa, psicóloga, educadora e terapeuta sexual, diretora-editora da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH)

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