Ninguém gosta de receber críticas. Por mais construtivas que sejam, geralmente provocam dor e decepção. Dependendo das circunstâncias, têm efeito devastador. Mas por que será que machucam tanto? Segundo a psicóloga Sandra Samaritano, do Instituto Paulo Gaudencio, a resposta é simples: elas mostram coisas que repudiamos em nós mesmas. É a velha história do dedo na ferida. "Por isso, na maioria das vezes, comentários negativos doem mais em quem tem baixa auto-estima ou é perfeccionista ao extremo. São pessoas que não se permitem errar", explica Sandra. Como as mulheres costumam se culpar muito mais do que os homens, sofrem em dobro com a questão. Trocando em miúdos, nos vemos na obrigação de dar conta de tudo, e, quando algo dá errado, isso nos afeta profundamente. Para piorar, desde crianças somos induzidas a reprimir a agressividade - um traço incentivado nos garotos. Resultado: ficamos remoendo as advertências sem achar uma válvula de escape. "Se já na infância fôssemos estimuladas a encarar as observações como oportunidades de progredir, teríamos mais facilidade de aceitá-las", garante a psicóloga. Os especialistas também asseguram que temos dificuldade de simplesmente ouvir: a primeira coisa que nos vem à cabeça é rebater. Para aprender a lidar com o assunto, é fundamental reavaliar esses conceitos, deixando de lado exigências descabidas. Lembre-se: você não está num banco de réus, em julgamento, com condenação decidida. Pelo contrário. "No trabalho, o chefe assume o papel de amigo, ou seja, da pessoa que fala para mim, e não de mim. Funciona como uma espécie de espelho, que reflete o que realmente eu sou", afirma Sandra.
Fique fria
Convencida da importância de treinar seu jogo de cintura? Então, para começar, evite contra-argumentar assim que seu superior abrir a boca. Ouça o que ele tem a dizer com calma, até o fim. "Se logo no início se sentir ofendida, você vai bloquear a capacidade de prestar atenção e deixar de escutar o resto", alerta a headhunter Laís Passarelli, diretora da Passarelli Consultores. Para a psicóloga Adriana Fellipelli, da RightSaadFellipelli, empresa de consultoria organizacional, esse tipo de comportamento é prejudicial, porque, entre outras coisas, dificulta o trabalho do chefe. "Ele vai ponderar se vale mesmo a pena investir numa funcionária que não manifesta a menor disposição para escutá-lo", ressalta. "Ouvir tudo calada demonstra interesse, não passividade", completa a consultora Cecília Junqueira, do Instituto MVC. Uma atitude sábia, de acordo com Adriana, é agradecer o feedback, avisar que vai pensar um pouco mais sobre o assunto e dar um tempo para colocar as idéias no lugar. "Depois, se tiver dúvidas ou necessidade de esclarecer alguma coisa, proponha uma nova conversa", sugere Cecília. Nela, vale até pedir algumas sugestões para que seu rendimento melhore.
Não aumente o problema
Não raro, nós superdimensionamos a situação, transformando advertências corriqueiras em verdadeiros dramas. Assim, acabamos paralisadas. "É preciso dar ao problema o devido tamanho", diz Adriana. Em outras palavras, não deixe que uma crítica se instale e ocupe um lugar de honra na sua mente, tirando sua atenção do relatório que precisa entregar ou da palestra que vai enriquecer sua carreira. Outra sugestão importante é filtrar o conteúdo.
Faça um balanço e assimile apenas o que considera essencial", aconselha Laís. Adriana acredita que a capacidade de dar a volta por cima sem culpar os outros é uma qualidade cada vez mais valorizada pelas empresas. E a psicóloga Sandra assegura: "Ninguém trilha uma trajetória profissional isenta de erros. São eles, aliás, que nos ajudam a repensar o trabalho e dão a chance para que possamos progredir".
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Comentado em 21.03.2012 às 02:30 por Fabi:
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