Novos estudos da neurociência mostram como manter o cérebro saudável e a memória em dia

Quem disse que estamos condenadas a perder a memória e a agilidade com o passar do tempo? A neurociência aponta o que fazer para manter saudável o órgão mais nobre do corpo.

Cristina Nabuco em 31.05.2012
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Foto: Science Photo Library

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Tarde de sábado, tinha acabado de almoçar quando o telefone tocou. “E aí, vocês não vêm?”, disse minha irmã. “Estamos esperando vocês para cantar parabéns.” Sem jeito, perguntei: “A festa não é amanhã?” Eu podia jurar que o aniversário do meu sobrinho seria no domingo. Chegamos a tempo de provar o bolo, mas virei alvo de gozação. Aos 49 anos, já confundi horário do dentista, às vezes esqueço nomes e olho para o frasco de cálcio e vitamina D sem saber se tomei ou não. Atribuía isso ao cansaço até conhecer um estudo britânico divulgado em janeiro passado. Cientistas da Universidade College avaliaram o raciocínio, a linguagem e a memória de 5,2 mil homens e 2,2 mil mulheres entre 45 e 70 anos e descobriram que a atividade cerebral começa a se deteriorar aos 45 anos. Até pouco tempo atrás, os pesquisadores presumiam que o declínio tivesse início aos 60 anos. Supondo que o cérebro agora envelhece mais cedo por culpa da correria diária e do excesso de informações, interpretei meus lapsos como os primeiros sinais da decadência. Tive a sensação de estar à beira do abismo. Felizmente, minhas conclusões foram precipitadas. “Antes as pesquisas eram feitas apenas com idosos; agora incluem pessoas bem mais jovens”, revela Sonia Brucki, vicecoordenadora do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. “Não podemos afirmar que envelhecemos mais cedo. A medicina hoje detecta alterações imperceptíveis no passado.” Segundo Sonia, embora a troca de informações entre as células nervosas fique mais lenta com o tempo, uma pessoa saudável não perde a memória, a lucidez e o raciocínio apenas porque chegou a certa idade. É possível manter um desempenho cognitivo normal.

O neurocientista brasileiro Miguel Nicollelis, professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e autor de Muito Além do Nosso Eu (Cia. das Letras), diz que perdemos neurônios a partir dos 18 anos. Por um século, a medicina acreditou que o desgaste fosse irreversível e o cérebro incapaz de se reparar. Nas últimas duas décadas, descobriu-se que células nervosas continuam a ser criadas na idade adulta. E que as tarefas cerebrais não são realizadas por células isoladas, mas por múltiplos neurônios, interagindo como uma orquestra. Outra descoberta fantástica: a rede de células se encarrega das atribuições dos neurônios perdidos, compensando sua ausência.

É a capacidade de se rearranjar, denominada plasticidade cerebral, que oferece a possibilidade de recuperação em casos de lesão no cérebro. Ela ainda preserva a habilidade de aprender na velhice. A neurocientista Cheryl Grady, da Universidade de Toronto, no Canadá, constatou que a partir da meia-idade o ser humano usa mais os dois lados do cérebro, o que permite fazer análises amplas das circunstâncias e resolver melhor os problemas. Um indício de que não somos obrigadas a aceitar passivamente as limitações do envelhecimento. Ao contrário, podemos interferir no processo para impedir que o cérebro enferruje. “A plasticidade afeta o cotidiano e enterra qualquer vestígio de determinismo”, diz o psiquiatra Norman Doidge, da Universidade Columbia, autor de O Cérebro Que se Transforma (Record). O livro mostra que estímulos alteram a estrutura e o funcionamento do órgão. “A cabeça tem de estar ocupada com desafios”, alerta Orestes Vicente Forlenza, vice-diretor do Laboratório de Neurociências da Faculdade de Medicina da USP.

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1 comentário(s) de 1

  1. Achei muito interessante o artigo acima, bastante instrutivo.

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