Um dia desses, levei uma fechada no trânsito de São Paulo. O carro que quase bateu no meu era a van de uma famosa quituteira paulistana. Pregado na carroceria, o adesivo de um imenso quindim, reluzente no topo, cremoso na base de doce de coco. Nem pensei na fechada, pensei no quindim. Pirei. É meu doce preferido, mas há seis meses não como açúcar. Há seis meses não provo farinha branca. Há seis meses estou na dieta mais dura – e também a mais bem-sucedida – da minha vida. Há seis meses eu pesava 21 quilos a mais e tinha acabado de comprar um jeans tamanho 50. Há seis meses eu resolvi que não queria mais ser gorda. Não que eu fosse imensa ou não coubesse na poltrona do avião; eu cabia – apertada, mas cabia. Não que eu tivesse problemas de saúde; não tinha, meus indicadores clássicos – colesterol, glicemia – eram ótimos.
Não que o meu amor reclamasse; ele também briga com a balança. Mas cansei de vestir o que servia, não o que eu queria. Cansei de pisar e sentir o impacto de um corpo pesado sobre os joelhos. Cansei de passar pelos espelhos olhando meio enviesado.
O maior mistério para mim é: por que deu certo neste momento e não em nenhum outro nos últimos 20 anos, período em que engordei consistentemente? Teve o momento do jeans 50, de certa forma um divisor de águas. Lembro da vendedora, do 48 que não fechava. Meu filho, de 6 anos, também ajudou, involuntariamente. Vou resumir: ele chupa o dedo desde a vida intrauterina. No começo do ano passado, nasceu o primeiro dente permanente. Avisei: “Filho, esse dente vai ficar aí pelo resto da sua vida, e agora é sério: precisa parar de chupar o dedo”. Repeti o discurso por duas semanas até que ele, certa manhã, decretou: “Mãe, parei”. Abracei, beijei... e duvidei. Não é que o moleque nunca mais pôs o dedo na boca? Pensei: “Se uma criança tem determinação para abandonar essa muleta emocional, não é possível que eu não consiga emagrecer”.
O passo seguinte foi procurar ajuda. Sozinha eu não conseguiria. Escolhi uma nutróloga, marquei, fui. Gostei do jeito dela: miúda, mas não magra. Falante. Esperta o suficiente para não mencionar metas (se ela tivesse proposto 20 quilos na primeira consulta, eu provavelmente teria desistido; ela só tocou no assunto quando eu já tinha perdido 17). Propôs um cardápio rígido: zero açúcar; só farinhas integrais e, mesmo assim, em porções miseráveis; toda proteína que eu aguentasse, desde que magra. O cardápio tinha uma pegada doutor Atkins. Era para corações fortes, mas, de alguma maneira, eu me encaixei nele. Olhando para trás, percebo que, para dar certo, também usei algumas chaves mentais muito eficientes, que partilho nesta reportagem-testemunho. Se os quilos a mais são um problema na sua vida como eram na minha, quem sabe alguma delas faça sentido para você.
9 comentário(s) de 9
Comentado em 14.03.2013 às 00:27 por zé:
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Comentado em 15.02.2013 às 15:19 por Andrea:
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Comentado em 06.03.2012 às 19:40 por lourdes:
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Comentado em 29.02.2012 às 02:17 por silvia ferrari:
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Comentado em 15.02.2012 às 19:32 por Isabel Jorge Cury:
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Comentado em 10.02.2012 às 01:14 por Alice Barros:
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Comentado em 06.02.2012 às 18:03 por Aurilene fernandes da Silva:
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Comentado em 02.02.2012 às 18:38 por Sheila Pamela :
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Comentado em 01.02.2012 às 19:55 por Fabiana:
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