Foto: Filipe Redondo
)Quem conhece sabe: o cineasta Heitor Dhalia nunca tira a jaqueta. Mesmo no tórrido verão paulistano, ela é uma espécie de escudo desse guerreiro urbano e muito inquieto: “A vida busca movimento, e eu estou sempre pronto para a ação. Vencendo um obstáculo atrás do outro”, define-se o moço, que nasceu no Rio, foi criado em Recife e adotou São Paulo, onde está há 19 anos, como campo aberto para suas batalhas. Desde o início dos anos 1990, quando ainda dirigia filmes publicitários, colocou Hollywood firme na mira. Com o primeiro longa, Nina, de 2004, seu nome começou a circular pelo universo do cinema internacional. Na companhia do cineasta André Ristum, experiente em festivais americanos e europeus, passou a desbravar o maravilhoso mundo da indústria cinematográfica. Lembra Ristum: “A primeira ida a Los Angeles foi uma descoberta para nós dois. Fomos na cara dura a várias reuniões com produtores. O Heitor não falava uma palavra de inglês. A cada minuto, ele se espantava de estar ali vendo sua ideia maluca virar realidade”. Para não ser apenas o queridinho da vez, investiu em viagens e conversas, leu montanhas de roteiros e, claro, estudou inglês seis dias por semana.
Detalhista ao extremo e paciente (feito o bom enxadrista que é), Dhalia sabe ganhar territórios. Em 2007, chamou a atenção no Sundance Film Festival com O Cheiro do Ralo, em que assina a direção e o roteiro feito a quatro mãos com Marçal Aquino. Em 2009, com o longa À Deriva, entrou na seleção da mostra Um Certo Olhar, paralela do Festival de Cannes. Mais alguns passos e tornou-se parceiro de produtores e distribuidores no exterior. Apesar de ter vivido quase um ano nos Estados Unidos dirigindo 12 Horas (um suspense, com Amanda Seyfried no papel principal), e de estar aberto a novos convites, quer manter suas raízes no Brasil. “O país está num momento ótimo e o cinema é minha arma para contar a nossa história.” Tanto é verdade que vai começar filmando Serra Pelada, a saga do garimpo no Pará dos anos 1980. Wagner Moura será o protagonista. “Para mim, todo filme é uma guerra, e esse vai ser mais ainda. Não é a batalha da porrada, mas da estratégia e do planejamento, com centenas de pessoas envolvidas”, diz ele.
Desde 2007, Dhalia escreve todos os roteiros, inclusive o de Serra Pelada, a quatro mãos com a mulher, Vera Egito, 29 anos, pra lá de linda, diretora de curtas premiados e do programa Viva Voz, no GNT. “Costumamos brincar que o melhor que fazemos juntos é escrever. Fora isso, sai briga”, conta Dhalia. Não é verdade: os dois são parceiros em outras artes e estão se preparando para a estreia das estreias. “Nossa filha, Glória, vai nascer em maio, bem no caos da pré-produção do longa. Quando soube da gravidez, fiquei paralisado por dois dias. Esse, sim, é um fato dramático.”
Vera e Dhalia estão juntos há quase sete anos. “Eu era aluna do curso de cinema da USP e convidei o Heitor para fazer uma palestra sobre Nina. Fiquei encantada. Não namoramos de cara, mas ele me convidou para ser assistente de O Cheiro do Ralo. Não nos separamos mais. No começo, a relação foi tumultuada. Ele tem aquela coisa do macho nordestino e ambos temos temperamentos fortes.” Ele confirma: “Não é uma relação careta, de cobrança. Cada um pilota seu espaço, mas não se trata de um casamento aberto”.
“O Heitor é charmoso e dono de um papo interessantíssimo. Mas é casado com uma moça talentosa e linda, e acho que não tem pra ninguém, não”, afirma a atriz Débora Bloch, protagonista de À Deriva. Afinal, a fama de conquistador procede? “Procede”, assume Dhalia. “Agora estou nessa relação estável, mas sempre tive muitos amores. Como os gregos, acredito que a guerra é tão irresistível quanto uma linda mulher.”
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