Enfrente seus medos e aumente seu poder pessoal

Você não precisa ser perfeita para se sentir feliz e realizada. Ficar se culpando por tudo, só vai jogar sua autoestima no fundo do poço. Veja como sair dessa armadilha.

Melissa Diniz e Marcia Kedouk em 04.05.2011
A A A
comportamento-enfrente-seus-medos-e-aumente-seu-poder-pessoal
(Foto;)

1. Tenho de ser mãe?

Você não “tem de” fazer nada. É uma escolha e, como tal, precisa de um ingrediente mágico para funcionar: assumir a responsabilidade pela decisão. O tempo em que as mulheres só se consideravam plenamente realizadas quando tinham filhos já passou, e não existe mais aquela pressão social aterradora do passado. Mesmo quem decide adiar a maternidade tem alternativas proporcionadas pela medicina. “Procure se perguntar quais são suas prioridades atuais e tenha coragem para vislumbrar o futuro”, sugere o psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Cuschnir, coordenador do Centro de Estudos da Identidade do Homem e da Mulher (Iden), em São Paulo. “Se quer focar a carreira, considere as consequências que essa decisão trará daqui a alguns anos.” Para a psicóloga Roseana Ribeiro, do Rio de Janeiro, especialista em motivação e mudança de comportamento, a resposta para essa pergunta está relacionada aos valores individuais. “A questão central é: está disposta a desacelerar o trabalho para ter filhos? Em alguns casos, é preciso até abrir mão, mesmo que temporariamente, da carreira.”

2. Preciso mesmo de um homem para chamar de meu?

Para a maioria de nós, a vida fica, sim, mais luminosa com um companheiro para amar, dividir, dar risada, pedir colo. A questão é: como identificar essa pessoa na multidão sem bater tantas vezes a cabeça? “Ao se interessar por alguém, você deveria investigar se ele trata bem a mãe, se gosta do emprego e se desperta seu interesse sexual”, aconselha a monja americana Diane Musho Hamilton Sensei, que esteve em abril no Brasil e conversou com CLAUDIA. A relação com as mulheres da família indica como se comportará com a própria esposa, porque é um modelo que será repetido.” A satisfação com o trabalho mostra se ele se sente bem consigo mesmo. Caso não goste do que faz, tenderá a puxá-la para baixo também. E a química física é aviso de intimidade total.

3. Onde está a felicidade?

“Tem gente que está sempre correndo e não vê os instantes de plenitude da vida”, diz a monja Coen, fundadora da comunidade zen-budista em São Paulo. “Estar viva, sentir o cheiro da terra depois da chuva, ver o pôr do sol, ouvir o som dos pássaros – tudo isso traz um enorme contentamento. Quando estamos despertas, vivemos mais intensamente e percebemos beleza até mesmo na tristeza, pois sabemos que logo ela vai passar.” Lembre-se, por exemplo, de quando você era criança. Sorria com mais facilidade, certo? Talvez porque notasse a alegria nas coisas mais simples ou por não projetar sua satisfação em algo ou alguém...

4. O que escondo dos outros?

É natural escolher o que vai ou não mostrar ao mundo. A questão é: quando você está cara a cara consigo mesma, tem coragem de mexer naquele bauzinho trancado no fundo da sua alma? Pois o que se esconde ali é um tesouro ao contrário: são suas dificuldades, seus medos, seus traumas. E, apesar de não ser nada fácil trazê-los à tona, é infinitamente recompensador vencê-los.

5. Por que me sinto tão ansiosa?

A ansiedade, na visão da monja Coen, expõe dificuldade para lidar com nossos conflitos. “É muito importante perceber nossos limites, o que não significa nos limitar a eles, mas respeitar o próprio ritmo.” A expectativa de que algo bom aconteça é gostosa, mas viver em função do que está por vir pode ser devastador. Corre-se o risco de sofrer por antecipação com algo que, muitas vezes, nem vai acontecer. Não dá para controlar todos os resultados. Para Roseana, a ansiedade é necessária para nos tirar da inércia. Mas, em excesso, transforma-se em alerta para a insegurança em relação ao futuro, o medo de errar – talvez seu nível de perfeccionismo esteja elevado – ou aquela vontade de abraçar o mundo.

6. O que me faz sonhar?

Será mesmo que seu mundo perfeito seria ocupar a cadeira da presidência da empresa? Viver em uma ilha com o marido, dois filhos e um labrador bastaria? Um exercício bacana para investigar essa questão é pensar no gênio da lâmpada e então mentalizar três grandes desejos, quaisquer que sejam. É possível que descubra já estar vivendo seu sonho. Ou pode perceber que se distanciou muito e, portanto, é hora de sair em busca dele!

7. Trato meus pais como eles merecem?

A pergunta que precisa ser feita para chegar a uma resposta plausível é: você consegue ver seus pais como seres humanos? “Quando percebemos que eles são falíveis e fizeram por nós o melhor que podiam, deixamos de alimentar sentimentos de raiva e ressentimento. Considere as dores e dificuldades pelas quais eles passaram. Muitas vezes, exigimos atitudes santas que nós mesmas não temos”, observa a monja Coen. Outro ponto importante é perceber que existe um pedaço deles em você e que compreendê-los equivale a entender melhor a si mesma. “Procure não deixar para se arrepender depois que eles partirem. Encontre tempo para visitálos ou para dar um telefonema – e nunca os trate mal. É preciso ter com os mais velhos a mesma paciência que uma criança exige. A intimidade às vezes nos leva a ser grosseiras. Portanto, o afeto é o caminho.”

Gostou dessa reportagem? Assine CLAUDIA e receba muito mais em sua casa todos os meses!
#comentarios

Nenhum comentário