Ilustração: CSA Images/B&W Mex Ink Collection/Getty Images
)As mulheres são campeãs num ranking que não traz glória alguma: 81% delas contra 59% dos homens revelaram ter dor de cabeça na pesquisa conduzida pela neurologista Eliana Melhado, da Sociedade Brasileira de Cefaleia. A enxaqueca é três vezes mais comum no sexo feminino e vai além da sensação ruim que fica martelando num dos lados da cabeça, na região dos olhos, testa e nas têmporas, quase sempre com náuseas. O mal-estar se estende à maioria dos 200 tipos de cefaleia, inclusive os decorrentes de hipertensão arterial, problemas na coluna, distúrbios da articulação da mandíbula, nevralgia, ansiedade e depressão. Culpa das flutuações hormonais. “A queda nos níveis de estrogênio após o 14° dia do ciclo pode ativar o processo doloroso”, explica a neurologista. Por isso, 70% das enxaquecas pioram às vésperas e no primeiro dia da menstruação e, em geral, acabam ou melhoram na gravidez. A médica aponta ainda outros adversários. O óxido nítrico – neurotransmissor que atua no aprendizado, na imunidade e nos processos inflamatórios – talvez contribua para a dor virar crônica. E a dopamina, que participa do controle dos movimentos e do humor, igualmente interfere. Ela é encontrada em doses mais altas na enxaqueca das mulheres, mas não na dos homens. O uso de anticoncepcionais, obesidade, stress, má alimentação e consumo de álcool também podem induzir à dor.
“Mesmo sem o conhecimento preciso das causas, é possível reduzir a periodicidade, intensidade e duração das crises”, afirma Eliana. “Até as menos frequentes devem ser tratadas”, completa o neurologista José Geraldo Speciali, do Comitê de Cefaleia da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (Sbed), que participa das ações deste Ano Mundial contra a Dor de Cabeça. Com esse espírito, a Academia Brasileira de Neurologia instituiu o Dia Nacional da Cefaleia, em 19 de maio, para, entre outras coisas, alertar: se a dor ocorrer de três a quatro vezes no mês, deve-se procurar um médico para evitar que vire crônica, considerar o tratamento contínuo, que previne sintomas, e não abusar de analgésicos. As pesquisas científicas e a indústria têm buscado alternativas de alívio, com sucesso. As últimas novidades:
Drogas top de linha
Elas interrompem as crises em cinco minutos, enquanto os analgésicos à base de cafeína demoram 40 minutos. Disponíveis sob a forma de comprimido, tablete que se dissolve sob a língua, spray nasal e injeção, os triptanos (sumatriptano, rizatriptano, zolmitriptano e naratriptano) reduzem o calibre dos vasos sanguíneos para aliviar a dor. “O resultado é melhor quando associado a um anti-inflamatório não hormonal”, afirma José Geraldo Speciali. O coquetel é indicado a pacientes com, no máximo, duas crises por mês.
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