Veja como ajudar o pai de seus filhos a exercer suas funções. Aproveite e confira o depoimento de dois homens amorosos sobre a paternidade
O primeiro amor de Jade O maior orgulho da minha vida são os meus filhos. Há nove anos, a mãe deles morreu e todos nós sofremos. Foi duro, mas tentei ser pai e mãe dos dois. Quando a Jade ficou mocinha, eu vibrei e lhe expliquei vários aspectos sobre sexualidade. Mais tarde, confesso que fiquei um pouco surpreso ao saber que ela havia beijado um rapaz. Depois fui me acostumando com a idéia. Ela e o Pedro também sentiram ciúme quando, há seis anos, conheci Elisete, com quem hoje me sinto casado. Agora meus filhos a vêem como amiga. Por causa da carreira de atleta de minha filha, tentei ensiná-la a ser humilde e a lidar com frustrações. No ano passado, durante os Jogos Panamericanos, o Brasil todo acompanhou pela TV quando ela caiu da paralela e chorou. Eu a confortei, disse a ela que não deixasse o sonho acabar ali porque dava para recuperar os pontos no dia seguinte. Foi o que aconteceu. E eu quase despenquei da arquibancada, tanta foi a alegria que senti pela medalha de ouro! Tento ser para os meninos o que o meu pai foi para mim. Ele era bastante presente. Muitos homens trabalham demais e acabam se ausentando, não acho isso bom. É fundamental estar por perto: respeitar o próximo a gente aprende com o pai. CÉSAR RODRIGUES BARBOSA, 48 ANOS, ARQUITETO E EMPRESÁRIO, VIÚVO, PAI DE PEDRO HENRIQUE, 11 ANOS, E DA ATLETA JADE, 17 ANOS, QUE INTEGRA A SELEÇÃO BRASILEIRA DE GINÁTICA NAS OLIMPÍADAS DE 2008, EM PEQUIM
A doçura do guerreiro Ao me tornar pai, descobri o amor em estado bruto: ele veio vestido de Marina e Gael. Vou ensinar aos meus filhos que os homens choram. Afinal, comecei a chorar assim que minha mulher, Rita, confirmou a primeira gravidez: estava no bar com os amigos e comemorei com uma rodada de chope. Sou do tipo que troca fraldas, dá banho, põe para dormir. Divido todas as tarefas lá em casa. Só não posso amamentar porque sou homem, mas adoraria. Minha preocupação com o planeta aumentou muito depois que as crianças nasceram. Adoro ver a Marina colocando o lixo no lixo: ela é incapaz de jogar alguma coisa na rua. E tenho muitos planos para o Gael: vamos jogar bola juntos, quero levá-lo ao Maracanã e vou mostrar a ele que os meninos podem demonstrar seus sentimentos. Meu maior compromisso é criar bem os dois para que sejam pessoas honestas, de caráter. Desejo oferecer mais compreensão do que repreensão. Educar é cansativo, exige carinho e paciência – confio em dar bons exemplos e dialogar sempre. Era assim na minha casa. Meu pai é maravilhoso, me ajudou a ser o homem que sou – trabalhador, determinado e guerreiro, como ele. Mas o coroa era o típico pai provedor, não ajudava a minha mãe, achava que cuidar de criança era função de mulher. Eu coloco a mão na massa. Quero que meus filhos tenham orgulho de mim. CARLOS FREDERICO DE MELO SILVA, 35 ANOS, GERENTE IMOBILIÁRIO, CASADO, PAI DE MARINA, 2 ANOS E MEIO, E GAEL, 4 MESES