Como ensinar seu filho a ajudar a arrumar a casa

Toalha molhada na cama, meias sujas no banheiro, restos de comida no quarto. Antes de começar a gritar, lembre-se de que é possível ensinar a criança a ser organizada.

em 08.09.2011
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(foto: Thinkstock/Hemera)

Toda mãe vive aqueles momentos de desânimo completo diante da bagunça da criançada e da desorganização que parece tomar conta de tudo. O que fazer? Esfriar a cabeça e deixar as crianças à vontade ou adotar uma atitude severa, exigindo ordem total? A dúvida é tão comum que a psicóloga Vera Regina Miranda Gomes da Silva e a pedagoga Rosa Maria Zagonel, ambas de Curitiba, desenvolveram uma espécie de guia de orientação para pais e professores.

Ensinar a criança a se organizar, a participar da rotina doméstica, a ter horários e a formar hábitos é uma maneira de ajudá-la a desenvolver o raciocínio lógico, a adaptar-se socialmente e a definir o seu papel de aluna, explicam as especialistas. No futuro, esse aprendizado influirá em sua vida profissional. Ela se tornará um adulto capaz de realizar as tarefas que assumir e de planejar e perseguir objetivos claros. Será natural para ela considerar suas próprias necessidades, respeitar os direitos dos outros e cumprir as obrigações sem sofrimento. Além disso, estará preparada para estabelecer prioridades e enfrentar situações novas.

Com base em sua experiência, Vera Regina e Rosa Maria relacionam algumas regras que costumam dar bons resultados:

• Equilíbrio, a palavra-chave – É preciso saber quanto exigir e quanto permitir. A organização e a disciplina são necessárias para a pessoa se situar no tempo e no espaço, ter uma vida saudável e seguir as convenções e as normas sociais. O excesso de ordem, no entanto, pode se transformar em busca obsessiva da perfeição, desencadear neuroses e criar dificuldade para vencer desafios. É importante que a pessoa se permita bagunçar, se sujar, experimentar a liberdade, o desejo, o prazer, a fantasia. “A dosagem adequada tornará a criança ou o adolescente um adulto equilibrado”, dizem Vera e Rosa.

• Programa de ação – Os pais devem orientar a criança a planejar seu dia (e sua vida) formulando perguntas do tipo: o que vou usar no banho? Que livros serão utilizados na pesquisa? O que se deve levar na mala para uma viagem de fim de semana? Quem pretendo convidar para a minha festa de aniversário?

• Na hora certa – Convém estabelecer uma rotina diária e fazer com que a criança respeite o horário de dormir, de acordar e de comer, o tempo de ficar no banho, falar ao telefone, ver TV e usar o computador. Insista com seu filho que o trabalho e a tarefa vêm antes do lazer e que é preciso fazer uma coisa de cada vez.

• Mostre como arrumar – A partir dos 2 anos, a criança pode ajudar em algumas tarefas. Aos 7 ou 8 anos, será capaz de fazer tudo sozinha – e deve ser incentivada a isso, ainda que, no início, a colcha da cama não fique tão esticadinha. Itens principais:

Roupas – Ensine-a a dobrar e a guardar as que estão limpas, a deixar as sujas no lugar apropriado, a separar as que não servem mais, para ser doadas, a enrolar as meias.

Armários – Marque um dia do mês para a arrumação geral, mostrando-lhe como usar gavetas, cabides, sapateira.

Brinquedos e jogos – Peça-lhe para guardá-los depois do uso, consertar (ou mandar consertar) o que está estragado e dar o que não usa mais.

Cama – No começo, os pequenos podem ajudar a esticar os lençóis; com o tempo, deverão fazer isso sozinhos, logo depois de acordar.

• Hábitos de estudo – É importante preparar um canto para a criança fazer as lições em silêncio, com iluminação adequada. Afaste estímulos como relógios, revistas, blocos de papel, painel de fotos: eles levam à dispersão. Estabeleça um horário para o estudo e diga-lhe que, nessa hora, ela não deve ligar a TV nem o som. Explique que é importante separar com cuidado o material que terá de levar para a escola: o estojo deve estar completo e os lápis apontados. Mostre-lhe como adotar uma postura confortável ao sentar: pés apoiados no chão e uma das mãos sobre o caderno, enquanto a outra escreve.

• Respeito é bom – Há hora de falar e hora de escutar. E pessoas bem-educadas respeitam o que não é seu. Assim, nada de pegar objetos dos outros sem autorização.

• Não exagere! – Cuidado para não virar tirana. A busca extremada da perfeição gera na criança a sensação de que nunca conseguirá agradar ao adulto. Ela pode até se transformar numa pessoa organizada, mas se sentirá insegura quanto ao próprio valor.

• Elogie sempre – Reconhecer o esforço e as tentativas, mesmo as malsucedidas, é essencial para que a criança se sinta reconhecida e continue a se empenhar.

• Seja persistente – A educação envolve conflitos e exige que o adulto seja mais persistente para que a criança adquira bons hábitos.

• O modelo é você – Os filhos se espelham nos pais, embora às vezes você duvide disso. Não adianta ensiná-los a arrumar as coisas se, no seu quarto, tudo está espalhado. Eles ficarão confusos diante de mensagens tão diversas e não assimilarão a lição. O que fazemos prevalece sobre o que dizemos.

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