Como as crianças amam

Com alguns gestos certeiros, você comunica a real intensidade do seu afeto e garante que seus filhos se tornem capazes de amar - e de receber amor. Aqui, você vai descobrir várias maneiras de dizer " eu te amo"

por Flávia Pinho |foto Cris Parente em 19.11.2007
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"À noite, minha mãe nunca deixava de me beijar. chegava de rosto lavado, não esqueço o cheiro bom de sabonete e hidratante. Os alemães são pouco calorosos, por isso essa imagem não sai da minha memória", recorda, emocionada, a professora de ioga Susan Bierrenbach, 32 anos, de São Paulo. Para declarar seu amor pela filha, Luísa, de 10 meses, Susan faz diferente. Estabeleceu verdadeiros rituais, que permeiam a rotina da menina. Canta a mesma música na hora do banho, elogia seu bom comportamento a cada noite e, quando preciso, sussurra palavras tranqüilizantes ao seu ouvido. Cada mãe desenvolve, instintivamente, mecanismos para transmitir o que sente - você com certeza tem os seus. Poucas se dão conta, porém, do alcance de atitudes aparentemente banais. Quando retribui o sorriso do bebê e mostra que está contente também, a mãe diz que compreende a emoção que ele expressou. Essa sintonia é a base de uma trama que será tecida ao longo da infância e terá reflexos na vida adulta. Segundo o psiquiatra americano Daniel Stern, que se dedica a estudar as interações familiares, crianças cujos sentimentos não são aceitos e retribuídos com freqüência - sejam eles bons ou ruins - tendem, com o tempo, a evitar expressar suas emoções. Em contrapartida, quem cresce amparado pela confiança tem boas chances de se tornar um adulto preparado para se relacionar. "Quanto mais acostumada a receber amor, mais facilidade a criança terá para externar esse sentimento", diz o educador Celso Antunes, autor do livro A Construção do Afeto (Augustus). Assim como a troca de sorrisos, outros gestos simples são carregados de significados. O desafio é estar atenta à sua importância. Aquele minutinho que você dispensa ao pequeno, o elogio sincero ao desenho que ele fez na escola e até a bronca diante do quarto bagunçado são expressões de afeto valiosas. Para ajudar você a identificar as pequenas coisas que fazem diferença, CLAUDIA ouviu especialistas e reuniu algumas sugestões.

"O bebê estabelece a relação afetiva pelo atendimento de suas necessidades básicas."

José Luiz Gherpelli

Escute com o coração. Quando seu filho leva longos 15 minutos para contar um sonho esquisito, recebe toda sua atenção? Estar disponível para escutar qualquer coisa, mesmo que pareça mera bobagem, é o primeiro passo para estabelecer uma comunicação amorosa. "Em geral, as mães fazem perguntas do tipo 'como foi o dia?' e aguardam as respostas. Não basta. A criança precisa de um interlocutor interessado em suas fantasias, que vêm carregadas de informações preciosas", afirma Celso Antunes. Formado esse hábito, o pequeno cresce seguro e disposto a revelar o que pensa e sente. "O papel da mãe é fundamental. Como opera prioritariamente o lado direito do cérebro, a mulher se mostra mais pronta a ouvir", explica. A fórmula vale do mesmo modo para a adolescência, quando o diálogo parece uma missão quase impossível. Na opinião da psicóloga Adri Dayan, de São Paulo, coordenadora do curso Como falar para seu filho ouvir, os jovens não exteriorizam sentimentos de forma direta. Cabe à mãe investigar o que há por trás de muxoxos e explosões. "Se ele chega em casa chamando a professora de idiota, não adianta recriminá-lo. Na verdade, está contando que ficou bravo porque tirou uma nota ruim. Se encontrar espaço para o desabafo, chegará à conclusão, sozinho, de que o problema é dele." Adri garante ser mais fácil do que parece. "Mães não têm obrigação de dar lições de moral o tempo todo. Só quando aprende a ouvir sem cobrar, ela tem chance de conhecer o filho de fato."

 

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