Carmo Dalla Vecchia: saiba mais sobre a vida do vilão da novela 'Amor Eterno Amor'

Ele malha seis dias por semana, faz análise, encontrou-se no budismo e usa os magníficos olhos cinzentos como arma para driblar a timidez de berço. Modesto e denso, o malvado da novela das 6 impressiona pela coragem de enfrentar angústias que nem sempre entende!

Liliane Oraggio em 20.07.2012
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Foto: Ricardo Corrêa

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Assim, à primeira vista, não há dúvida: Carmo Dalla Vecchia, 41 anos, no auge da testosterona, é o “todo bom” no sentido safado da expressão. Ele, que mora no Rio, chega ao estúdio, em São Paulo, de jeans e camiseta e vai carimbando quem encontra pelo caminho com sorriso aberto e olhar direto. Assim, ao mesmo tempo, de cara limpa e expressão franca, Carmo seduz e se protege, pois nem a fama conquistada como galã global (agora ele encarna o vilão Fernando, na novela das 6, Amor Eterno Amor) conseguiu libertá-lo da timidez de berço. Mas, quando os holofotes acendem, aí, sim, ele vira artista, íntimo com a câmera. Leonino, vaidoso, com sangue italiano e alemão nas veias, durante as fotos Carmo vai mudando a expressão do rosto e do corpo – 1,88 metro de altura, ombros e pernas malhados. A cada clique, mostra uma nova face, como se um filme passasse pela cabeça desse homem que mudou a cena da própria vida tantas vezes.

Aos 10 anos, o garoto nascido na pequena Carazinho, interiorzão do Rio Grande do Sul, já tinha uma angústia maior do que podia compreender. “Eu me lembro de olhar pela janela do apartamento (àquela altura, a família havia se transferido para Santa Maria, também no interior gaúcho) e ficar aflito de ver que a cidade terminava dali a 800 metros. Eu queria sair de lá de qualquer jeito. Cresci rodeado por montanhas e natureza. Pai bancário. Mãe dona de casa. Duas irmãs mais velhas. Tudo muito parado, cada um com a sua vidinha e pronto”, conta Carmo, que demorou a se livrar dessa agonia – partilhada com a melhor amiga, Renata Savian. “Nós passamos a adolescência grudados”, diz ela. “Era um moleque muito inquieto, tinha que fazer mil coisas para quebrar a monotonia. Vivia me propondo desafios: quem via mais filmes, quem lia mais livros, quem conseguia decifrar mais palavras estranhas. Até que ele descolou um curso de modelo. Fomos fazer juntos; ele levava súper a sério, e eu na brincadeira. Resultado: Carmo ganhou o mundo. Eu moro em Santa Maria até hoje. Mas nossa amizade continua a mesma. Ele é o mesmo cara simples, divertido e de coração enorme”, elogia Renata, que hoje é funcionária pública.

O curso era ok, mas a timidez proverbial continuava lá e deu as caras, vitoriosa, num concurso de modelos em São Paulo. Carmo tinha 19 anos e saía pela primeira vez da casa dos pais para participar da prova. “Não deu certo: eu era um bicho do mato, não entendia a cidade grande. Assustei e voltei para casa. Entrei para a faculdade de educação física, mas não consegui aquietar. Até que, dois anos depois, um amigo foi morar no Rio e me chamou. Fiz aulas de teatro na Casa das Artes de Laranjeiras e a vida começou. Deixar a minha terra foi a coisa mais difícil que fiz até hoje, mas valeu a pena”, lembra Carmo. Depois de um ano na CAL, ele foi chamado para os testes da minissérie Engraçadinha (1995), baseada no texto de Nelson Rodrigues. O garoto era tão lindo e bom de cena que ganhou o papel de Durval, par romântico incestuoso da protagonista, ninguém menos que Claudia Raia.

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