Foto: Paul Edmondson/Corbis
)O chorinho marca o fim da espera. Enquanto a mulher olha para o bebê, o obstetra corta o cordão que a manteve unida ao filho. Corda e placenta, que nutriam o feto, acabam de perder a razão de existir. Numa bandeja metálica, ambos seguem para o lixo. Em 2010, nas salas de parto de todo o país, essa cena se repetiu 2,747 milhões de vezes. Uma pena: o material rejeitado no nascimento desses brasileiros poderia ter merecido destino mais nobre que a incineração, a trituração ou o simples descarte num aterro sanitário hospitalar. No entanto, poucas gestantes que deram à luz naquele ano, e também seus médicos, sabiam que o sangue que circula entre cordão e placenta, quando doado, pode ajudar a tratar 70 doenças graves, graças a sua capacidade de reconstituir células. Sangue e tecidos estão em falta nos laboratórios. Assim também como são escassos dentes, gordura retirada em lipoaspiração e até sangue da menstruação. Os cientistas muitas vezes são obrigados a interromper a busca da cura de males importantes exatamente porque jogamos fora essas partes nossas que carregam as tão cobiçadas células-tronco. “Nós queremos produzir com elas tecidos que, uma vez transplantados, vão gerar um novo órgão no corpo”, diz a geneticista Lygia da Veiga Pereira, chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias da USP.
Embora menos versáteis que as embrionárias (que se transformam em qualquer um dos 216 tecidos humanos), células-tronco obtidas com esses materiais descartados podem regenerar músculos, ossos, tendões, cartilagens, vasos sanguíneos e até neurônios. Com a vantagem de não causarem tantos conflitos éticos quanto a manipulação de embriões para obtenção das células-tronco. Quanto mais rápido se cumprir o prognóstico de Lygia, maior será a possibilidade de acabar com a fila de espera para o transplante, e muita gente será salva. As doações sugeridas nesta reportagem são fáceis e indolores. Veja como participar:
Placenta e cordão umbilical
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina fazem testes para gerar fibras cardíacas e nervosas. Em 2009, as células-tronco de cordão e placenta também foram empregadas em experimentos com pacientes com esclerose múltipla. Já há uma vitória concreta: o sangue que circula neles é uma alternativa ao transplante de medula óssea em casos de leucemias, linfomas, anemias e imunodeficiências congênitas, sobretudo em crianças e adolescentes. Em 2004, foi criada a BrasilCord, rede nacional de bancos desse tipo de sangue, sob a coordenação do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Ela tem capacidade de armazenar 65 mil bolsas em unidades espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Pará, Pernambuco e, até o fim deste ano, Minas Gerais.
Para doar: A mulher deve ter entre 18 e 36 anos e mais de 35 semanas de gestação na hora da coleta, feita em parto normal ou cesárea. Ela terá que assinar um termo de consentimento para a pesquisa. Precisa passar por pelo menos duas consultas no pré-natal e preencher ficha sobre sua saúde: não pode ter histórico de câncer ou anemia hereditária. Vários hospitais estão credenciados para a coleta. Para saber quais, entre no site cancer.org.br/projetos-brasilcord.phpcancer.org.br/projetos-brasilcord.php. Ao ver o mapa, clique no seu estado e procure a maternidade mais próxima.
2 comentário(s) de 2
Comentado em 12.06.2012 às 14:10 por Marian José de Lima:
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Comentado em 06.05.2012 às 23:52 por Dayliz:
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