Cacique Pequena

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Maior premiação feminina da América Latina, o prêmio CLAUDIA chega à sua 22ª edição reconhecendo o talento, as histórias de superação e a realização de brasileiras em diferentes áreas. Conheça as finalistas deste ano, escolha as suas favoritas e dê o seu voto. Com ele, você ajuda a homenagear as mulheres que batalham para fazer deste um país melhor.

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Cacique Pequena

Canta e compõe canções sobre o cotidiano dos índios jenipapo-kanindé, que habitam o município de Aquiraz, a 30 quilômetros de Fortaleza

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Aos olhos dos brancos, as aldeias indígenas têm uma organização machista. Enquanto os homens caçam e guerreiam, as mulheres cuidam da casa e das crianças. Nesse contexto, naturalmente a liderança política é ocupada por um homem.

Era assim que funcionava também a comunidade da etnia jenipapo-kanindé, em Aquiraz, a cerca de 30 quilômetros de Fortaleza. Até que, em meados da década de 1990, o cacique Teodorico faleceu e a comunidade ficou sem chefe.

Reunidos, os índios escolheram para ocupar o posto Pequena, a primeira mulher a se tornar cacique no Brasil. “Logo de cara, eu não aceitei, mas a voz do povo é a voz do deus Tupã. Não poderia ficar contra ela”, diz.

Uma de suas primeiras missões no cargo foi participar de uma série de reuniões sobre os direitos indígenas com outros chefes em Belo Horizonte e Brasília. Na capital mineira, a primeira parada, encontrou um obstáculo.

Em uma sala com cerca de 40 caciques, foi rechaçada. “Disseram que mulher só servia para cama e pé de fogão, que não tínhamos a potência de um homem”, conta. Sem se intimidar, a índia pediu a palavra e passou o seguinte sermão aos pares:

“De onde vocês vieram? Eu sei que não foram feitos do vento nem saíram da casca de um ovo. Vieram ao mundo porque uma mulher teve força para parir vocês. A mãe de vocês aguentou nove meses de sopapos no ventre e agora merece um xingamento desses?

Sim, porque o que estão dizendo é sobre todas as mulheres, não apenas sobre mim. Se acham que só servimos para cama e fogão, estão dizendo isso sobre a mãe de vocês. Pois eu vou falar uma coisa: mulher não nasceu só para isso.

Nascemos para ser alguém na vida também. Se eu estou aqui é porque o meu povo me escolheu. Na minha aldeia tem homens. Tem ancião, jovem, adolescente, criança. Mas eles escolheram a mim. E eu mereço respeito!”.

Antes de assumir a liderança, Pequena já batalhava pela propriedade da terra onde vive seu povo e pela manutenção da cultura local. Depois de quase três décadas de luta, resolveu realizar um sonho particular: registrar em um CD as canções que compõe desde moça.

Faz isso enquanto desempenha as tarefas do dia a dia, como a colheita de frutos na floresta ou o banho no rio. Gravadas em português, as músicas são, para ela, uma forma de disseminar a cultura de seu povo. No ano passado, a cacique lançou Beleza da Vida no anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.