Toscana: o paraíso no coração da Itália

Um roteiro amoroso, com mesa farta e lembranças maravilhosas, compõe o caderno de viagem da designer Vivian Calissi, que nasceu na Toscana e mantém uma casa em São Paulo e outra em Lucca.

Depoimento a Déborah de Paula Souza em 12.03.2012
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Meu avô materno era marceneiro, veio para o Brasil em 1951, prosperou, abriu uma fábrica de móveis e chamou meus pais. Eu tinha 7 anos quando cheguei a São Paulo, em 1973, vinda de Bagni di Lucca, na província de Lucca, na Toscana. Em casa, só se falava italiano. Eu e meu irmão, o Diego, aprendemos português em seis meses. Queria me livrar do sotaque porque na escola me chamavam de Rita Pavone (cantora italiana famosa na época). Eu me tornei designer de interiores. Meu irmão herdou o talento de comerciante do meu pai e do meu avô paterno, que eram sorveteiros, e voltou para Lucca, onde o seu bar, My Mei, é famoso pelo sorvete – adoro o de avelã.

Em qualquer lugar do mundo, você reconhece um italiano pelo sapato de couro feito à mão e pelo modo como ele pede café: curto, longo, com espuma de leite fria ou quente... Tudo o que diz respeito à cozinha, nós levamos a sério. Os italianos só consomem comida fresca, preparada na hora. Na Toscana, casas e restaurantes têm horta ou árvores frutíferas no quintal. As pessoas trocam figos, alcachofras... e declaram coisas do tipo: “Esta é a melhor abobrinha do mundo!” Congelado? Somos contra. Todo italiano é hipocondríaco e tem certeza de que congelado mata. Para dar ideia do que a cozinha representa para minha família, os momentos de tensão na infância eram aqueles em que minha mãe retirava o macarrão da panela. Ainda não havia importação no Brasil, e as marcas nacionais passavam do ponto al dente. A missão dos parentes que nos visitavam era trazer pasta Barilla, funghi secchi e uma farinha feita à base de castanha doce, típica da Toscana, que sempre dava confusão na alfândega. No meu primeiro idioma, não existe a palavra saudade. Aprendi aqui, sentada na porta de casa, esperando as cartas da minha avó. Hoje, toda a família de origem já voltou para a Itália. Eu me casei com um brasileiro e moro com ele, Rudge (Rodolfo Bittencourt), e meus filhos, Raul e André. Mas temos uma casa em Lucca e viajamos várias vezes ao ano. Serei sempre dividida: no Brasil, sou a italiana, e lá, a brasileira.

Pintura ensolarada

A Toscana é verde-clara e cheia de amarelos. No verão, o sol brilha até 9 da noite. No inverno, neva nos montes, mas Lucca está no nível do mar e o clima é mais ameno. Em meia hora você chega às montanhas e em 20 minutos à praia. Meus amigos – se não viajam comigo – sempre me ligam quando vão para a região. Meu conselho: pare no aeroporto de Pisa e alugue um carro. A melhor coisa que pode acontecer é você se perder. A estrada do Chianti, por exemplo, parece pintada à mão. Fica na região de Firenze. O caminho está cheio de placas indicando pontos de agroturismo, pequenas fazendas que recebem hóspedes e visitantes para degustação de vinhos, queijos e presuntos. Pode entrar em qualquer uma, são todas ótimas. Para saborear uma bisteca fiorentina, em vez de ir para Firenze, eu e meu marido preferimos pegar essa estradinha até Panzano porque adoramos o restaurante de Dario Cecchini. Ele é criador de gado e conhecido, claro, como “o melhor açougueiro do mundo”. A gente ria desses exageros, mas o Rudge me disse que agora o Dario saiu até no The New York Times... E por que não comer a famosa bisteca em Firenze, capital da Toscana? Porque lá você come mal e paga caro. No verão, lota, não é lugar para se hospedar, e sim para conhecer arte, visitar o Duomo (catedral local) e as obras dos grandes mestres. Berço da Renascença, a cidade é cenário para as obras de Botticelli, entre outros. Mas eu prefiro os vilarejos medievais, sem tanto business e por isso mais autênticos.


#comentarios

1 comentário(s) de 1

  1. Olá vivian Parabéns pelas bela fotos. Que lugares maravilhosos, sou apaixonada por paisagens da Toscana e tenho um sonho de poder conhecer este paraíso. Ar de romantísmo tudo me encanta, gosto do idioma italiano, do sotaque italiano da música enfim ...tudo. Io che amo Italy mia.

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