O museu de arte contemporânea de Inhotim encanta adultos e crianças

O mais espetacular museu de arte contemporânea do país fica num jardim botânico em Brumadinho, cercado pelas montanhas de Minas.

Heloisa Aline Oliveira em 29.04.2011
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Mesmo quem nunca se interessou por arte contemporânea fica embasbacado pelo lugar: já se imaginou caminhando num mar de sal grosso, que cintila à luz de frágeis lâmpadas amareladas? Ou mergulhando numa piscina, numa câmara escura, com toalhas felpudas para se secar na saída? Em Inhotim isso tudo é possível. É tão surpreendente que é difícil explicar de que se trata. Um imenso jardim pontilhado com obras de arte? Um museu espalhado num imenso jardim? O delírio maravilhoso de um mecenas das montanhas de Minas?

Qualquer que seja a definição, esta é a dobradinha imbatível que faz de Inhotim um lugar único no planeta: arte contemporânea e natureza exuberante. São 17 galerias que abrigam artistas nacionais e estrangeiros, 21 obras de arte externas espalhadas por um jardim botânico que apresenta um dos maiores acervos de espécies vegetais do Brasil, cinco lagos plácidos onde nadam patos, cisnes brancos e negros.

As montanhas mineiras, ao fundo, completam o cenário paradisíaco localizado na cidade de Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte. Seu criador, Bernardo Paz, 59 anos, um milionário que fez fortuna no setor de mineração, não gosta de aparecer e muito menos de ser chamado de mecenas. Para ele, seu jardim precisa apenas ser experimentado. “É um espaço de transformação pessoal”, disse certa vez.

Com um mapa nas mãos, o visitante pode escolher o próprio roteiro, caminhando livremente pelos quase 100 hectares, atravessando pequenas pontes, descansando nos enormes bancos rústicos de madeira bruta espalhados pelo terreno, enfrentando trilhas a pé ou a bordo de carrinhos motorizados.

A estrutura de Inhotim é impecável no quesito organização, a começar pelas placas onipresentes e pelos monitores bem treinados. “São excelentes anfitriões, gentis. Tratam bem o público, que sai satisfeito”, enfatiza o crítico de arte mineiro Walter Sebastião. Explorar tudo exige disposição física, chapéu, protetor solar e garrafinha de água, mas vale a pena.

Na verdade, o ideal para conhecer o lugar são dois dias. Há gente que, vinda de longe, se hospeda em Brumadinho. A cidade, com 35 mil habitantes, vem se expandindo desde que o centro cultural abriu oficialmente as portas, em outubro de 2006. Até agora, recebeu cerca de 500 mil visitantes.


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