Caminho de Abraão: o novo roteiro de viagem pelo Oriente Médio que está fazendo sucesso

Misto de viagem turística, histórica e cultural, com paisagens lindas e pausa para reflexão: este é o novo roteiro que está conquistando andarilhos. Os que se lançam nessa jornada fortalecem a crença na necessidade urgente de paz mundial e de maior tolerância entre os homens.

Iracy Paulina em 22.04.2012
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Um lugar de guerras e conflitos. Até janeiro do ano passado, o Oriente Médio resumia-se a isso para a professora de literatura Marina Miranda Fiúza, 28 anos, moradora de São Paulo. “Era uma realidade distante, quase como outro planeta”, diz ela. Então, surgiu a oportunidade de embarcar em uma viagem que se revelou transformadora. Com o marido, o professor de relações internacionais Guilherme Casarões, e um grupo de estudantes universitários, ela se lançou no Caminho de Abraão (veja o quadro “A jornada do patriarca”), um roteiro nos mesmos moldes do Caminho de Santiago, a famosa rota de peregrinos que corta a Europa rumo à cidade espanhola de Santiago de Compostela. Em 17 dias, Marina e os integrantes do grupo passaram por 21 cidades e vilarejos de Israel, da Turquia, Jordânia, dos territórios palestinos e do Líbano. Refaziam parte dos passos de Abraão, o personagem que, segundo o livro do Gênesis da Bíblia, teria vivido há 4 mil anos. Chefe de um clã seminômade, ele teria cruzado o Oriente Médio durante seus 175 anos de vida, dando provas de sua fé inabalável em um Deus único – por isso, é considerado o patriarca das três principais religiões monoteístas da atualidade (judaísmo, cristianismo e islamismo). O novo roteiro está sendo procurado por pessoas que desejam entender melhor a região conflagrada, uma das mais explosivas do planeta. Um dos principais pontos de tensão tem raízes no final do século 19, quando os judeus decidiram regressar em massa a Jerusalém, na Palestina, então parte do Império Otomano, de onde tinham sido expulsos pelos romanos no século 3 d.C. Em 1948, eles constituíram o Estado de Israel, declarando sua independência. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, derrotaram os países vizinhos e anexaram os territórios da Cisjordânia, Gaza, Colinas de Golan e Jerusalém Oriental. Um nó que não se desatou até hoje: Israel não quer retirar os 500 mil judeus que moram na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental; os palestinos são maioria (2,5 milhões de pessoas) e colocam a desocupação desses territórios como condição inapelável para a paz.

Trilhar o Caminho de Abraão é uma viagem cheia de significados, como refletir sobre tolerância. “É um roteiro histórico-cultural que propõe colocar as pessoas em contato com os moradores dessas regiões para que enxerguem o que eles veem, conheçam o outro lado e vivenciem valores como hospitalidade e respeito”, explica Roberta Sotomaior, brasileira voluntária da ONG Iniciativa Caminho de Abraão, responsável pelo mapeamento do trajeto do patriarca. “Acreditamos que esse é um turismo transformador, que promove a reflexão e o entendimento entre os povos.” O rabino Nilton Bonder fez a caminhada, base para o livro Tirando os Sapatos (Rocco). Para Marina Fiúza, a experiência foi repleta de descobertas. “Lá, apesar de ficar chocada com as diferenças, descobri o lado humano que nos aproxima”, afirma. Aqui, ela conta as passagens mais marcantes.


#comentarios

2 comentário(s) de 2

  1. lugares maravilhosos e interesantes,toscana,milao,portugal ,dinamarca e oriente medio.parabens pela materia

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  2. Olá, gostaria de comentar um pouco o texto Caminho de Abraão: uma viagem pelo Oriente Médio. No inicio ao ler título, fiquei muito contente por perceber, que a imagem de apenas guerras estaria ficando de lado para muitos brasileiros. Infelizmente, ao terminar a leitura, fiquei um pouco decepcionada com a forma tendenciosa ao se referir ao país de Israel. Já, fiz esta viagem a um ano e meio atrás com uma parte de minha família. Adorei todos os pontos pelos quais passamos. Mas, fiquei tão impressionada com a organização e segurança de Israel. Que decidi que voltaria, não apenas para uma curta viagem. Mas, para conhecer profundamente a cultura judaíca e os costumes pelos quais este país esta envolto. Sou católica não praticante, como a escritora do texto em questão, por este motivo, não sou nem um pouco tendenciosa ao dizer, que este país, apesar da guerra que muitas vezes nos parece iminente, me sinto completamente segura em andar pelas ruas a noite, sem qlqr preocupação com assaltos, estupro ou com marginais a me abordar em algum momento em que esteja distraida. Como citei a cima, decidi voltar a sete meses estou residindo em Israel. Conhecendo cada ponto que posso neste tempo, estudando hebraico para melhor me comunicar com o povo que aqui vive. Fui completamente aceita pelos judeus, mesmo não compartilhando das mesmas crenças, sou respeitada. E não percebo deles nenhuma forma de discriminação. E posso dizer que em nenhum outro país a minha volta me senti tão segura de andar independente de ter um homem ao meu lado. O que não ocorreu em algum dos país citados no texto. Lá muitas vezes não eramos bem recebidas por não seremos da mesma religião e não podiamos andar sem o guia ao nosso lado, ou ao menos sem um homem nos cuidando. Já, aqui em Israel, posso ir de uma cidade a outra, sem qualquer preocupação. Não preciso que cuidem de mim, posso fazer meus estudos e conhecer seus diversos pontos turisticos, religiosos sem "escolta". O povo Israelense é extremanete civilizado, organizado, e patriota, amam o seu país, as crianças são como qualquer crianças, brincam, correm pelos parques, andam no shopping, são muito felizes, e convivo com muitas crianças onde resido. conheço arabes mulçumanos, arabes cristãos e judeus e sinceramente a vida que todos tem é normal, os pais trabalham, as crianças estudam e brincam. Por este motivo, gostaria que quando se fosse comentar em um veículo de comunicação um texto sobre turismo em outros país, a pessoa realmente conhecesse a realidade do local e comentasse sem antagonismos os seus atrativos. Obrigada pela atenção.

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