Gaby Amarantos: “Me sinto abençoada por tê-la tido como mãe”

A cantora aceitou o desafio de CLAUDIA e escreveu uma carta à mãe Elza dos Santos - morta em 2015 - agradecendo o aprendizado e o tempo que passaram juntas

O que você escreveria se tivesse que enviar uma carta para a sua mãe? Ou para os seus filhos? A cantora Gaby Amarantos, 38 anos, aceitou o desafio de CLAUDIA e produziu um texto emocionante para sua mãe Elza dos Santos (1946-2015).

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Minha mãe, você foi uma revolucionária, mulher corajosa e à frente de seu tempo. Era ribeirinha e viveu até 20 e poucos anos na floresta. Apesar de toda a pressão social para que fosse uma dona de casa tradicional, que apenas cuidasse dos filhos, estimulava as mulheres da vila onde morávamos a estudar e se profissionalizar. Foi a maior e melhor incentivadora da minha carreira.

Meu pai tinha medo de que eu, aos 18, saísse para cantar e passasse as noites fora. E você, dona Elza, me acobertava. Suas atitudes me influenciaram a ser quem sou e me tornaram essa artista empoderada. Somos muito parecidas tanto fisicamente quanto no caráter.

Tenho a quem puxar #SerMãe ❤️

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E até na religiosidade. Eu com a minha meditação, você com a presença constante na igreja. Costumava brincar que você era o ‘vice-padre’. Você era o tipo de pessoa que transmitia tanta paz que todo mundo queria estar por perto. Era de uma pureza quase santa. Acreditava em todo mundo.

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Quando ficou doente, em 2015, me afastei dos palcos para cuidar de você e sinto que foi o melhor que poderia ter feito naquele momento. No começo, pensamos que era só uma bronquite ou pneumonia. Só uma semana antes de você partir, veio o diagnóstico de câncer. Você nem soube dessa doença, porque tinha sofrido uma isquemia cerebral. Dávamos comidinha na sua boca e mimávamos você.

Ainda dói muito falar sobre esses tempos. Sinto uma saudade imensa, mas hoje tenho outra compreensão a respeito de tudo que passamos. Entendo que nada se encerrou. Você é uma presença que está em mim, no meu coração, todos os dias da minha vida. Eu me sinto abençoada pelo privilégio de tê-la tido como mãe.

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E procuro repassar para meu filho, Davi, coisas importantíssimas que aprendi com você: bondade, altruísmo e, principalmente, a coragem de ser quem somos, sem nos preocupar com o que os outros vão pensar.

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