Ana Paula Padrão: “Nunca quis a família margarina”

A jornalista e apresentadora do MasterChef fala a CLAUDIA sobre carreira na TV, casamento e empreendedorismo

Em 2005, o nome de Ana Paula Padrão ganhou espaço entre as notícias sobre celebridades. Nada a ver com sua vida pessoal, e sim com uma escolha profissional. Após cinco anos, ela deixava a nobre bancada do Jornal da Globo. “Fiquei surpresa com a reação das pessoas. Tinha gente me acusando de jogar fora a melhor oportunidade da minha vida. Espera aí… Quem eram eles para falar das minhas decisões?”, questiona.

Para ela, a parte dolorosa do processo já tinha ficado para trás. Foram três anos de debate interno até concluir que o cargo não a fazia feliz. Tudo começou com uma forte dor de cabeça, persistente, e crises de choro repentinas. “Estava triste. Sou uma repórter de rua, não dou a mínima para status, fama”, afirma ela. A crise, no entanto, ia além do escopo profissional – ela havia se dado conta de que tinha apostado todas as fichas no trabalho e deixado as questões pessoais de lado. O reconhecimento já não era suficiente. “Não queria estar casada com a profissão, mas comigo mesma”.

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Uma série de reportagens sobre mulheres a ajudou a compreender os caminhos que a haviam levado até ali. “Ouvi tantas histórias de mulheres que tinham abdicado da maternidade, mesmo sendo um sonho delas, e de outras que, aos 40, estavam nas portas de clínicas de fertilização in vitro… A minha geração abriu o território masculino para as mulheres. Eu usava ombreiras enormes, uma aliança falsa e engrossava a voz. Achava que só assim teria o respeito dos colegas”, lembra.

Ela mesma tinha passado pelo processo de fertilização. Aos 36 anos, então casada com o empresário Walter Mundell, pensou em aumentar a família. Foram dois anos de tentativas frustradas e muito sofrimento – as injeções de hormônio causavam cansaço e a deixavam inchada. “Entendi que, na vida, as coisas devem acontecer naturalmente”, diz ela. E conclui: “As pessoas acham que precisam alcançar o impossível, mas conseguir o possível já exige determinação e coragem. Eu tenho uma carreira e sou respeitada por ela; tive dois casamentos superbacanas; namoro um cara (o executivo Gustavo Diament, gerente-geral da programadora Turner) que me trata bem e gostamos um do outro… Preciso ter filhos? Esse sonho não é meu! Nunca quis a família margarina”, conta.

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(Bruna Castanheira/CLAUDIA)

VIDA NOVA

Ao sair da Globo, Ana Paula logo assumiu a bancada de um telejornal do SBT. E então viu a oportunidade de empreender. Abriu uma produtora que fornecia conteúdo jornalístico para o mesmo canal. “Eu tenho o espírito para os negócios, mas tomei muito baile até aprender os princípios básicos para fazer uma empresa funcionar. Apesar das longas horas de trabalho, estava feliz em empregar pessoas, criar”, conta.

Em 2011, mais segura, lançou o portal Tempo de Mulher, que define como uma empresa de comunicação e empoderamento feminino. De lá, saiu o projeto Escola de Você, plataforma de cursos online para mulheres, em parceria com a também jornalista Natália Leite. “Minha curiosidade não para; sinto necessidade de fazer algo novo a cada quatro ou cinco anos.”

Foi em um desses intervalos que apareceu o MasterChef, oportunidade de entrar no terreno do entretenimento. No começo, ela achou loucura, mas, assistindo aos episódios gravados em outros países, viu que aquilo agradaria ao público. “E aqui estou, aos 51 anos, vivendo meu segundo auge na televisão, algo que não esperava que fosse acontecer”, revela. A trajetória com altos e baixos agrada porque foi também uma jornada de autoconhecimento. “Queria que outras mulheres experimentassem o poder de ser responsável pela própria felicidade. Vou dar palestras e pergunto: ‘Quem aqui é feliz?’. Muitas levantam a mão, mas os motivos sempre vêm de fora, como o filho ter passado de ano no colégio. Aí eu falo: ‘Não, amiga. Quando VOCÊ é feliz?’. Isso as leva às lágrimas. Não somos criadas para sermos autossuficientes, mas assumi comigo mesma o compromisso de ser feliz diariamente.”

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