Home office: 6 dicas para quem tem a própria casa como escritório

Você faz seus horários, fica livre do trânsito e próxima da família. O home office traz muitas vantagens. Mas exige rearranjos domésticos para ser produtivo

Rede BBC, ao vivo. Robert Kelly, professor de relações internacionais da Universidade Nacional de Busan, na Coreia, concede uma entrevista sobre o impeachment da presidente Park Geun-Hye. Ele está em seu escritório, conectado ao estúdio via Skype. Então a filha mais velha, de 4 anos, invade o ambiente, toda saltitante, logo seguida por um bebê de 9 meses em um andador. Kelly controla o riso e pede desculpas.

A seguir, vemos sua mulher, rapidamente, algo desastrada, arrastar as crianças para fora. “Esqueci de trancar a porta”, justificou, mais tarde, o entrevistado. O vídeo viralizou – ganhou fama internacional e fez lembrar dos percalços de quem faz home office.

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Apesar deles, cumprir a jornada profissional em casa é um sonho para a maioria dos brasileiros. Segundo uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria em parceria com o Ibope, de 2016, 81% dos trabalhadores gostariam de trabalhar em casa ou em locais alternativos. Para a organização que adota esse regime também há vantagens, como a redução de custos de um escritório e o aumento comprovado da produtividade.

Foi o que fez a empresa onde trabalha a consultora de recrutamento e seleção Daniela Zanin , que trocou o escritório na região comercial de São Paulo pelo lar. “Não tenho a mesma estrutura, mas consigo um horário mais flexível e evito o trânsito. Tem prós e contras e só dá certo com disciplina e concentração.

Se essa é uma possibilidade que você considera, seja em uma iniciativa empreendedora ou em um combinado com o chefe, veja a seguir ideias para preparar sua casa – e a sua família – para uma nova dinâmica.

Crie uma rotina

É claro que não bater ponto traz certa flexibilidade, mas não se engane: a jornada de trabalho pode se estender mais se você não se policiar. Quem vai escolher o turno de maior rendimento é você – algumas pessoas funcionam melhor de madrugada, por exemplo. “Como não há chefe para observá-la, o resultado virá do seu comprometimento”, explica Marina Brik, que administra com o marido um site sobre o tema, o GoHome, e é coautora de seis livros sobre o assunto.

Antes de tudo, para se adaptar, planeje as horas dedicadas ao trabalho, à familia e ao lazer, tomando cuidado para não se tornar uma workaholic. Em seguida, crie rituais que marquem suas delimitações de tempo. É importante, por exemplo, ter horário fixo para acordar, tirar o pijama e almoçar. “Mostra que você deve ser levada a sério”, diz Brik.

Também há algumas ações menores, mas que mandam para o cérebro o recado de que é hora de começar o expediente, tal como colocar os óculos ou levar sua bolsa até o cantinho de trabalho. “Evite também responder a mensagens pessoais ou resolver questões da casa no período em que estiver produzindo. Desligar-se por uma ou duas horas basta para potencializar seu desempenho”, diz.

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Inclua a família

Para quem faz home office, estar em casa é diferente de estar disponível. Portanto, cabe negociar seus termos com o marido e os filhos. “Manter a saúde das relações familiares depende da criação de códigos profissionais que sejam compreendidos por todos”, sugere Micaela Góes, apresentadora do programa sobre organização Santa Ajuda, do GNT, e autora de livro homônimo.

Ela recomenda, por exemplo, combinar de baterem na porta do escritório antes de entrar sempre que ela estiver fechada ou manter silêncio enquanto a mamãe estiver no telefone. “Explique a eles que, apesar de estar em casa, você ainda está trabalhando e não pode dividir sua atenção”, sugere.

Procure também organizar o expediente em função dos horários das crianças. Nesse caso, as reuniões ou tarefas que exigem maior concentração podem ser marcadas durante o período em que os pequenos estão na escola. Deixe as funções mais simples, como responder a e-mails, para quando eles estiverem fazendo a lição de casa ou jantando.

Outra boa saída é organizar com familiares e até mães dos coleguinhas um sistema de rodízio em que cada uma se responsabilize pelo grupo alguns dias da semana, ampliando assim a jornada em etapas críticas.

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Delimite seu espaço

A organização da rotina familiar fica mais fácil se você tiver um ambiente adequado, onde possa se isolar nos momentos que exigem maior concentração. Caso não possua espaço para um escritório, monte uma escrivaninha em um canto da casa e crie uma atmosfera de trabalho com luminária, organizador para seus papéis e outros acessórios.

Ensine às crianças que não se deve mexer em nada do que está ali. “Se você trabalha muito tempo sentada, é essencial manter a postura com uma cadeira ergonômica confortável. Pesquise também se o assento está na altura correta e dê preferência a um móvel com braços, para se apoiar”, sugere Góes.

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Outros fatores importantes são iluminação suficiente e acesso fácil a tomadas. Quanto ao seu computador, certifique-se de que possui todos os softwares necessários instalados e tenha em mãos o telefone de uma empresa de tecnologia confiável perto de casa, que possa enviar um técnico para consertar sua máquina em uma emergência.

Circule e seja vista

Reuniões com clientes são fundamentais em vários segmentos. Marque com eles na sede da empresa ou em cafés e restaurantes. Se estes últimos forem a opção, a dica é visitar o local antes para saber se é muito barulhento e se possui estrutura. Caso precise fazer uma apresentação, recomenda-se reservar uma sala em um espaço de coworking.

Frequentar outros ambientes é um jeito de ser vista e de refrescar a cabeça com estímulos diferentes. Fique ligada em palestras, congressos e fóruns da sua área, que possibilitam expandir relacionamentos e fazer marketing pessoal.

Para fortalecer sua marca, invista em um e-mail com domínio próprio e em um número de celular dedicado ao trabalho. “Atualmente, ter um site próprio não é prioridade, já que costuma ser um serviço caro e cuja função, a princípio, pode ser cumprida por perfis em redes sociais, bem mais eficientes”, argumenta Wolnei Tadeu Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades.

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Peça ajuda

Além do técnico em computação, outros profissionais são essenciais para as empreendedoras adeptas do home office. Entre eles, um contador que administre burocracias de pagamentos e questões formais (veja abaixo as nomenclaturas importantes nessa área).

Em um primeiro momento, agende um encontro para entender as particularidades da sua atividade quando exercida em casa e sanar as dúvidas de questões fiscais. O profissional também deve ser consultado na hora de montar a declaração de imposto de renda – mesmo que você decida preencher o documento sozinha depois – ela pode ser bastante diferente da feita pelo funcionário registrado em empresa.

Por fim, recorra a um advogado para elaborar um contrato básico de serviço, usado para firmar acordos com clientes e garantir que deveres e direitos serão cumpridos. Aproxime-se do conselho regional da sua área para se manter atualizada sobre o valor médio de mercado dos seus serviços.

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NEGÓCIO OFICIAL

O vocabulário de quem trabalha em casa ou por conta própria pode ser desafiador. Abaixo, verifique os termos essenciais para registros e pagamentos

É comum ouvir a expressão “empregado CLT” quando se trabalha numa empresa. A sigla, que significa Consolidação das Leis do Trabalho, representa a legislação que determina, entre outras coisas, que o funcionário com registro em carteira tem direito a 30 dias de férias remuneradas, 13º salário, além de definir a jornada de trabalho. Os mesmos direitos valem para quem exerce a função remotamente. “Desde 2011, não se distingue o trabalho realizado nas dependências da empresa daquele executado à distância”, esclarece o advogado Gabriel Bazalia Sales, do escritório Nomura Riva Bressanim e Yoo Advogados Associados, em São Paulo.

Já se você é autônoma, não tem nenhum desses direitos e pode receber de duas maneiras. A primeira é como pessoa física, por meio de um recibo de pagamento a autônomo, emitido a cada trabalho. Outra opção, a mais comum, é ser paga como pessoa jurídica. Nesse caso, você é uma empresa.

Para quem recebe até 60 mil reais por ano, o modelo mais indicado é o MEI (microempreendedor individual). Nesse caso, o regime de tributação é simplificado, com valor fixo dependendo da atividade, prestação de serviços ou comércio. Se sua renda for superior a 60 mil reais e até 360 mil reais por ano, é recomendado se registrar como microempresa.

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