As melhores empresas para as mulheres trabalharem

Um novo levantamento revela práticas que fazem de algumas companhias as favoritas de funcionárias mulheres - como horários flexíveis e programas de coaching

Em 2016, 16% dos cargos de CEO no país eram ocupados por mulheres, apontou o relatório Mulheres nos Negócios, organizado pela consultoria Grant Thornton. Ainda muito pouco, é verdade, mas 45% maior que o número do ano anterior (11%). Sinal, portanto, de que os esforços por parte de empresas, empresárias e executivas têm surtido efeito. “Algumas ações que parecem pequenas, como flexibilidade de horário e a possibilidade de fundir um período de férias à licença-maternidade, são bastante efetivas se comparadas ao cenário de 20 anos atrás”, analisa Daniela Diniz, diretora de conteúdo e eventos da consultoria Great Place To Work, no Brasil.

De olho nisso, a Great Place To Work criou um prêmio específico para avaliar as melhores empresas para as mulheres trabalharem. Dele só poderiam participar negócios com ao menos 100 funcionários, sendo 15% deles mulheres – e 15% delas em cargos de gestão. A pesquisa é respondida pelas funcionárias, que avaliam práticas, políticas e satisfação geral. Das 144 inscritas, 30 foram condecoradas em cerimônia realizada no mês passado em São Paulo. Delas, cinco têm mulheres à frente dos negócios. Trata-se de empresas de áreas variadas, como saúde, finanças, tecnologia e ensino.

Em comum, têm a flexibilidade como palavra de ordem. “Não estamos falando de poder sair para ir ao médico ou buscar o filho na escola, mas de uma organização que permite que a mulher se sinta confiante para dar conta de todas as suas responsabilidades, em casa e no trabalho”, afirma Diniz. Para ela, as destacadas na seleção têm como mérito tornar a equidade uma questão de importância real dentro da corporação.

E também ir além de práticas de perfumaria pouco efetivas, tais como ter um salão de cabeleireiro no escritório ou fazer uma grande festa no Dia da Mulher. “São planos para agilizar as mudanças, que, se fossem orgânicas, levariam décadas”, completa. A seguir, conheça os diferenciais que fazem desses lugares um ambiente mais amigável para a mulher e que permitem seu desenvolvimento pleno sem entraves por gênero.

Pandora

Criada na Dinamarca há 35 anos, a joalheria chegou ao Brasil em 2009. A paulistana Rachel Maia assumiu o cargo de CEO pouco depois, quando havia apenas duas unidades no país – hoje são 91. A presença da contadora no comando tem efeito significativo, já que é a força atuante na equidade de gêneros. Com isso, 80% do conselho do escritório nacional é composto por mulheres, assim como 96% das gerências de loja. “Estamos até procurando contratar homens para garantir a diversidade nos ambientes”, diz ela.

Esses números são consequência de iniciativas como oferecer coaching para líderes e criar um ambiente favorável para o desenvolvimento pessoal e profissional. “As funcionárias gostam da empresa porque o perfil não é de buscar apenas resultados numéricos, mas satisfação dos colaboradores”, conta a diretora de recursos humanos Fabíola Marshall.

Outro benefício são o horário mais curto na sexta-feira, folga no dia do aniversário e vale-alimentação mesmo durante a licença-maternidade. Para o próximo ano, a empresa planeja oficializar suas políticas em um programa, criar comitês de diversidade, indicadores para medir os avanços internos e criar metas de preenchimento de cargos de acordo com perfis específicos.

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Thoughtworks

Enfoque genuíno nas pessoas: é assim que a ThoughtWorks Brasil define sua gestão de recursos humanos. A consultoria de tecnologia americana chegou ao Brasil há sete anos. Hoje, o quadro de funcionários tem 38% de mulheres e 9 delas estão no time de liderança estratégica, ao lado de dez homens. “Instituímos políticas básicas, como licença-maternidade e paternidade estendidas; programas para mulheres que querem desenvolver suas capacidades de liderança; e todas as entrevistas de recrutamento são feitas por pares, um homem e uma mulher, evitando o viés de gênero”, explica Andrea Aranda D’Ávila, diretora de departamento pessoal e recursos humanos.

Entretanto, ela ressalta que além disso, os funcionários são convidados a se manifestar para adequações pessoais. Há ainda práticas menos comuns, como a possibilidade de o colaborador solicitar uma conversa de feedback a qualquer momento e revisão anual de salário.

É usual também a realização da chamada “caminhada do privilégio”, voltada para promover a empatia de equipe e fazer colaboradores entenderem como seus privilégios impactaram sua evolução na empresa: os colaboradores são posicionados lado a lado e, conforme ouvem as perguntas do facilitador, dão passos à frente (caso a resposta seja positiva) ou para trás (negativas). “Abre-se espaço para uma conversa sincera e a criação de uma relação de mais respeito pelo esforço do outro”, acrescenta Natalia Natalia Menhem, head de marketing.

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Fortbrasil

Juliana Freitas aprendeu cedo, em casa o conceito de igualdade de gênero. Mesmo tendo dois irmãos mais velhos, ela foi a escolhida para assumir a presidência da FortBrasil, empresa de crédito de Fortaleza, fundada pelo pai dela há 17 anos. Hoje, orgulha-se de ter metade do alto escalão da empresa ocupado por executivas. E está empenhada em anular o que chama de “ambiente hostil dos negócios para mulheres”, que costuma encontrar em reuniões e viagens.

Com campanhas de conscientização, vem mudando o estereótipo de que as vagas relacionadas à números e tecnologia pertencem aos homens. Com isso, em três anos, cresceu 25%  a quantidade de funcionárias na área de análise de dados, que chegou a 55%. A flexibilização de horário é outro atrativo. “É possível mudar de turno mensalmente”, explica o diretor administrativo Marcelo Filho.

Ele ressalta também a cultura da empresa, que valoriza expressões individuais: “Queremos que as pessoas possam ser elas mesmas aqui, revelar seus gostos e personalidade sem ter medo de repressão por parte da companhia. Ninguém tem que viver escondido só porque está no seu local de trabalho”.

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Laboratório sabin

“É uma empresa com a alma feminina, afinal, foi fundada por duas mulheres”, afirma Lidia Abdalla, presidente do Laboratório Sabin, de Brasília. O índice de gestoras bate os 74% e a relação de transparência entre colaboradores e líderes é, em partes, responsável por isso.

Capacitando profissionais, o Sabin garante planos de carreira prolongados a todos que têm interesse. Além disso, oferece vantagens como a possibilidade de escolher a unidade mais próxima de casa para trabalhar ou flexibilidade de horário para homens e mulheres dividirem responsabilidades na criação dos filhos. “A confiança diminui a rotatividade. Mesmo em fases desafiadoras na vida pessoal, como a volta da licença-maternidade, as mulheres sabem que podem ficar tranquilas no escritório”, completa.

Para ser integrado a essa cultura, o colaborador passa por um período de adaptação de 90 dias, recebendo capacitações e treinamentos. “A ideia é disseminar esse pensamento para que se torne orgânico, para que não exista nenhum viés de diferença de gênero”, garante Mariana Bittar, gerente de recursos humanos.

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Takeda

Horário flexível e licença-maternidade e paternidade estendidas são questões há muito estabelecidas na farmacêutica Takeda. De origem japonesa com sede em São Paulo, a companhia estimula o time executivo a pensar,além de estratégias de negócio, na equipe.

A exigência mais recente, por exemplo, foi de que cada membro do comitê levasse para aprovação uma proposta de uma política pioneira para os funcionários. “Não é só o setor de recursos humanos que se concentrar nisso, o time deve ser uma preocupação de todos. Isso nos torna competitivos na hora de trazer os melhores profissionais para cá e garante a satisfação de todos, levando a resultados”, afirma Renata Campos, presidente da empresa.

As mulheres estão em 42% dos cargos de liderança e mais da metade da diretoria. Para Veronika Falconer, diretora executiva de recursos humanos, os funcionários estão envolvidos em um propósito de ajudar o próximo, o que garante a força do conjunto e incentiva cada um no dia a dia.

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Centro Universitário Una

Para a vice-reitora do Centro Universitário Una, ter uma mulher nesse cargo, que é o mais alto na instituição, serve de inspiração para as colaboradoras. “É a questão da representatividade. Elas passam a confiar que podem chegar lá”, diz.

A empresa mineira, que tem  56% de mulheres em cargos de liderança, acredita que na educação para transformar a cultura negativa contra elas. As ações, entretanto, não são dirigidas somente às mulheres – têm foco em aumentar a diversidade. A ideia é criar um clima de aceitação. Um exemplo: transgêneros passaram a ter o nome social em todos os documentos, inclusive no crachá. A instituição ainda estimula grupos de discussão contra vários tipos de preconceito.

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As 30 vencedoras em números

  • 50 anos é a idade média dos (ou das) CEOs das empresas selecionadas
  • 90% das empresas oferecem programas de coaching e 53% de mentoring para colaboradores
  • 62 horas por ano é a média de tempo que as empresas investem no treinamento de cada funcionário
  • 12 empresas entre as vencedoras são nacionais e 18 são multinacionais
  • 49% é o índice médio de gestoras mulheres nessas empresas
  • 86% dos contratados acreditam que a empresa só alcança bons resultados quando os inspira

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