“O tempo é precioso demais para ser gasto com o desnecessário”

Não vale a pena perdê-lo no processo interminável de buscar aquilo que, no final das contas, não existe: a melhor decisão

Quando trabalhar significava se locomover até um determinado espaço físico, em um horário específico, e cumprir certas tarefas dentro de um expediente preestabelecido, era ruim… mas era bom. Hoje, trabalhamos em qualquer espaço, real ou virtual, a todo momento, de múltiplas formas, em qualquer tempo. É bom… mas é ruim.

As vantagens das limitações de antigamente (não tão distantes assim) em relação à prodigalidade das opções do mundo contemporâneo são um paradoxo. Quanto mais liberdade de escolha, melhor. Quanto mais liberdade, porém, mais difícil é escolher, mais angústia envolve o processo. Isso significa, ao final, menos satisfação. O autor dessa tese é Barry Schwartz, professor da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, que escreveu um livro sobre o tema, O Paradoxo da Escolha – Por Que Mais É Menos (editora A Girafa).

Ao oferecer múltiplas opções, a sociedade ocidental moderna transferiu para o indivíduo a responsabilidade sobre o sucesso ou fracasso da sua escolha. Quando tínhamos poucas alternativas sobre a mesa, era pegar o que havia e culpar o mundo pela falta de coisa melhor. Viramos agora os mandatários absolutos das nossas escolhas, para o bem ou para o mal.

Não queremos ser menos livres, mas podemos ser mais felizes. O estudioso do paradoxo da abundância traz uma luz bem prática ao assunto que pode nos ajudar nas milhares de escolhas que temos de fazer continuamente. O dado vem de uma pesquisa realizada no Swarthmore College que dividiu as pessoas de acordo com seu modo de decidir: gente que faz a sua opção tão logo alcance os critérios desejados e gente que não resolve enquanto não encontrar a melhor opção.

Adivinhe qual dos dois grupos é o mais feliz? O primeiro, claro. Por duas razões, como explica o professor Schwartz: porque as pessoas que só buscam o melhor têm padrões tão elevados que é enorme a probabilidade de se arrepender e achar que não fizeram a escolha certa; e, depois, porque a melhor decisão simplesmente não existe, é uma batalha perdida. “Você pode, por exemplo, ter escolhido o emprego que imaginou ser o ideal e, se tiver um mau dia, vai pensar que, afinal, aquele talvez não fosse mesmo o melhor”, diz Schwartz.

Quanto mais exigimos de nós mesmas a melhor escolha, maior o risco de termos nossas expectativas frustradas. Quanto mais elevarmos nossas expectativas, mais arrependimento e culpa por não ter chegado a elas. A sabedoria, portanto, está em buscar aquilo que satisfaça os principais critérios e se definir pelo bom o suficiente.

Se estamos falando de uma escolha de carreira, é importante que, antes de sofrer em busca do máximo, você encontre dentro de si mesma aquele tipo de pessoa que se satisfaz com o possível. Acredite que essa visão lhe tomará menos energia e a ajudará a administrar as consequências da sua decisão, que jamais será perfeita. Se isso for totalmente contra sua natureza, delegue. Encontre alguém qualificado que resolva por você.

Outra dica é reduzir o espectro das escolhas: concentre-se em duas boas opções em vez de enlouquecer procurando outras dez. E, finalmente, valorize seu tempo e imponha-se um prazo para fazer a escolha. Lembre-se de que tempo é precioso demais para ser gasto no processo interminável de buscar aquilo que, no final das contas, não existe: a melhor decisão.

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